Marceneiro tem mão reimplantada
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quinta-feira, 05 de abril de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O marceneiro João Carlos Gonzaga, 52 anos, morador de Arapongas, passou por uma bem-sucedida microcirurgia para reimplante da mão esquerda na semana passada no Hospital Evangélico. O membro foi amputado num acidente de trabalho, quando uma serra decepou o braço dele, há uma semana. O procedimento foi realizado pelo cirurgião Edson Takaki e só foi possível graças ao rápido encaminhamento e conservação correta da mão.
A cirurgia durou cerca de 12 horas e foi realizada menos de cinco horas depois do acidente. O desastre ocorreu por falha mecânica de uma máquina da empresa fabricante de móveis. A única lembrança de Gonzaga é de ''dor muito forte.''
''Pedi muita força a Deus. Depois que vi a mão reimplantada somente pensei em agradecer. Primeiramente a Deus e depois ao médico que fez o serviço'', comentou o marceneiro. Na tarde de ontem, ele estava na expectativa pela alta médica e a liberação para voltar para casa, o que deve acontecer hoje. E comemorava o fato de já conseguir já mexes dois dedos.
A recuperação dele será lenta. A previsão é de dois meses para recuperar os movimentos e dez meses para ter a sensibilidade de volta. Na sequência, é necessário um período de treinamento para recuperar a destreza. Só então será possível saber se ele vai poder voltar a trabalhar na mesma função.
O cirurgião Takaki salientou que a rapidez no encaminhamento do paciente e a forma de armazenar e transportar o membro amputado são essenciais para o sucesso do procedimento. E o que deve ser feito é simples: colocar o membro em saco plástico e dentro de recepiente com gelo. No ponto de amputação, deve ser colocado apenas um curativo compressivo - e não ser feito o torniquete. Até sorvete pode ser usado. A vítima também não deve comer nem beber nada até a cirurgia. ''O que está em jogo não é só o reimplante do membro, mas a vida da pessoa dali em diante'', enfatizou Kakaki.
Como a degeneração principalmente dos músculos é rápida, a chance de sucesso é maior quando o reimplante ocorre em até seis horas, no caso de braço amputado, oito para a mão e doze para os dedos. O objetivo primordial é recuperar a a função do membro e garantir a reinserção da vítima à sociedade.
Os fios de sutura utilizados são 40 vezes mais finos do que um milímetro. Primeiro, é feita a fixação dos ossos com placas de aço e a religação de uma artéria e uma veia para garantir que o membro não necrose. Depois são feitos os religamentos restantes, de artérias, veias, nervos e tendões. Então, são costurados Para obter a precisão necessária, o cirurgião precisa passar por algumas privações. ''Não posso beber nem fumar. Também não posso jogar tênis porque preciso estar preparado o tempo todo para esse tipo de cirurgia. Nesses casos, precisão é tudo'', decretou.


