Campo Mourão O marceneiro Natalício Soares Lopes, 26 anos, confessou anteontem à noite, em depoimento na 16 Subdivisão Policial de Campo Mourão, ser o autor do homicídio contra Marcilene Leal de Souza, 26, ocorrido há 10 dias. A mulher teve o rosto desfigurado com golpes de faca e a pedradas.
''Saí de mim. Estava muito nervoso'', disse Lopes, ontem, em entrevista, sem saber explicar os motivos que o levaram a cometer o crime com tanta atrocidade. ''Tenho problemas e entro em pânico'', justificou. Ele contou que nunca chegou ser namorado de Marcilene e que apenas trocou ''uns beijinhos'' com ela.
Lopes mora em Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão), mas costuma frequentar bailes populares em Campo Mourão nos finais de semana. Foi no baile da Prainha, em 25 de agosto, que ele reencontrou Marcilene. ''Ela gostava muito de mim e disse que iria mandar me matar porque tinha terminado com ela'', afirmou.
A versão de Lopes não convence a polícia, que acredita que ele cometeu o crime por ciúmes. O marceneiro teria visto a ex-namorada com outro homem. O corpo foi encontrado próximo ao aeroporto municipal, arrastado por cerca de 10 metros num matagal. Marcilene trabalhava como zeladora no cemitério municipal.
A prisão de Lopes foi feita em Araruna. A polícia começou a desvendar o caso porque a moto dele foi vista no local do crime. Apesar de não ter se apresentado, Lopes vai responder pelo crime em liberdade. Ontem, na delegacia, ele teve que consolar a mãe, Celina, que chorava sem parar após a confissão do filho.
Para o comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, o tenente-coronel Elói Antônio dos Reis, a média de dois homicídios por mês numa cidade de 80 mil habitantes está ''alta demais''. Ele assumiu o comando na semana passada, no lugar do tenente-coronel José Rigoni Filho, que se aposentou.
''A região de Campo Mourão é uma das melhores do Estado no setor de segurança pública, mas achei estranho o índice de homicídios'', disse Reis. De acordo com dados da PM, ocorreram 13 assassinatos em Campo Mourão entre janeiro e julho deste ano. ''Pelo que percebi, o pessoal está matando por bobagens'', frisou.
Reis quer a ajuda de clubes de serviço e das igrejas para mudar o quadro. Segundo o delegado-chefe da 16 SDP, Antônio Brandão Neto, 85% dos homicídios deste ano já foram solucionados pela polícia.

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