Marcelo Borelli morre em Curitiba
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sábado, 13 de janeiro de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um dos assaltantes mais conhecidos do Brasil, Marcelo Moacir Borelli, de 39 anos, morreu anteontem no Complexo Médico Penal (CMP), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), onde estava internado desde dezembro do ano passado. Portador do vírus da aids, Borelli chegou na Grande Curitiba para tratamento por se recusar a tomar os medicamentos para o controle da doença na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde estava preso.
O corpo do assaltante foi liberado e levado para a cidade de Cornélio Procópio (Norte), onde foi enterrado ontem. Além de ser chefe de quadrilhas de assalto a carros-forte, Borelli ficou conhecido após a divulgação de uma fita de vídeo em que ele aparecia torturando brutalmente a enteada, na época com três anos. Ela era submetida a afogamentos e choques diários. A menina era até obrigada a engolir fezes humanas.
As fitas de vídeo foram encontradas pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), ligado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Nas cadeias de Belo Horizonte, Campo Grande, São Paulo e Brasília, Borelli foi espancado e sofreu abusos sexuais. Em Londrina, onde ficou preso até a transferência para o Complexo Médico Penal, Borelli já permanecia a maior parte do tempo na cama da enfermaria ou em cadeira de rodas.
Borelli foi preso em outubro de 2000, quando retornava do Paraguai com um carregamento de armas. Ele foi condenado a cumprir 172 anos de prisão. A pena foi revista e Borelli teria que ficar preso pelo prazo de 22 anos. O assaltante era filho de um rico cerealista do interior do Paraná que faliu. Ele chegou a iniciar dois cursos superiores, mas não terminou nenhum. Entre os crimes que cometeu estão o roubo de 60 quilos de ouro do compartimento de cargas de um avião no Aeroporto de Brasília e o sequestro de um Boeing da Vasp que fazia a rota Foz do Iguaçu-Curitiba com 61 passageiros e seis tripulantes.
O advogado criminalista Dálio Zippin Filho, que foi chamado por Borelli para denunciar maus tratos, contou que o assaltante estava muito mal desde que chegou ao Paraná. Zippin Filho faz parte da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). No Paraná, Borelli reclamava de estar em isolamento e não ter banho de sol diariamente. ''Na oportunidade fui falar com os diretores do Sistema Penitenciário. Ele tomava sol a cada 15 dias. As irregularidades foram sanadas e nunca mais fui chamado por ele'', disse Zippin Filho.


