A maior parte dos atos de violência contra crianças e adolescentes é praticada por pessoas que possuem uma relação de cuidado com as vítimas. Por isso, elas demoram a falar sobre o assunto ou jamais o fazem. Os motivos são vários: temor que seus familiares não acreditem na história, vergonha do que aconteceu, têm medo do abusador e se sentem culpadas pela violência que sofrem porque o algoz as envolveu nesse segredo por meio de ameaças e chantagens.
Segundo a coordenadora do Creas, Télcia Lamônica de Azevedo Oliveira, qualquer mudança física ou comportamental precisa ser investigada. ''Sempre digo que a criança sinaliza a violência, mesmo que não seja verbalmente'', explica Télcia. Ela aponta os principais indicadores de que a criança foi vitimizada: oculta marcas no corpo, apresenta sinais de isolamento, tristeza, baixo rendimento escolar, agressividade, mudança brusca de comportamento, medo de adultos e comportamento sexualizado.
Conforme Telcia, as marcas no corpo e na alma das crianças e adolescentes vítimas da violência são variadas e passam por baixa autoestima, dificuldade em estabelecer relacionamentos afetivos, desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e envolvimento com drogadição, atos infracionais e situações de rua. (C.V)

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