Pichações, sujeira e falta de segurança estão entre as reclamações da população
Pichações, sujeira e falta de segurança estão entre as reclamações da população | Foto: Gustavo Carneiro



Construída para homenagear o centenário da imigração da colônia japonesa no Brasil, a praça Tomi Nakagawa, no centro de Londrina, transformou-se em sinal de abandono. Inaugurado em junho de 2008, o espaço está deteriorando com a falta de atenção por parte do poder público e ações de vândalos. Isto está fazendo com que os transeuntes se arrisquem cada vez menos a atravessar pela praça.

O espaço apresenta diversas pichações, mato alto entre os pisos, sujeira e um forte cheiro de urina. Os bancos estão sendo usados por moradores de rua como abrigo. Pelo menos oito deles ocupam o local, principalmente na esquina com a avenida Leste-Oeste. Além disso, diversos objetos estão quebrados e a fonte de água desativada serve como ponto para guardar pertences dos pedintes. As reclamações também são relacionadas à falta de segurança.

Umas das poucas pessoas que se arriscaram a andar pelo centro da praça, a autônoma Rosiane Ferreira Gody queixa-se do estado do espaço público. "É um descaso muito grande. Está toda degradada e virou um mocó a céu aberto. Aqui é meu caminho para ir até o ponto de ônibus, porém sempre dou a volta, para evitar passar por alguma situação ruim. Inclusive, só estou com coragem de andar por dentro porque vi vocês", disse referindo-se à reportagem da FOLHA.

"Precisava ser um espaço mais bem utilizado. No começo ainda trazia minha família, porque era agradável. Hoje nem isso dá para fazer, porque está sem condições, seja de segurança e estrutura", lamenta o avicultor Robson Santos Pierout. "Não é sempre que passo por aqui, porém quando tenho que transitar está sempre deste jeito: descuidada", completou.

Recentemente, vândalos arrombaram a porta que dá acesso ao quadro de comando da iluminação e furtaram parte dos materiais. A escuridão persistiu por uma semana, quando novos equipamentos foram instalados. Apesar da reposição, são constantes os problemas de furtos de cabos de luz.

Construído com recursos municipal e federal, o espaço foi projetado pelo artista plástico Yutaka Toyota. Os elementos que compõem o monumento expressam diversos significados, como a força do povo japonês. "Fizeram algo bonito, mas que não recebe cuidado. Foi dinheiro jogado fora. O pior é ter algo assim em pleno centro da cidade", afirmou o comerciante Valdir Tirolla.

AÇÃO CONJUNTA
Uma das situações que mais incomodam os que transitam pela praça são os moradores de rua. Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Nádia Moura, várias pastas, junto com a Promotoria de Justiça, fazem reuniões para buscar soluções. "Estamos buscando uma ação coletiva interdisciplinar para despertar nessas pessoas o desejo de deixarem as ruas. Para aqueles que querem, oferecemos a passagem para a cidade de origem e tratamento para usuários de drogas", pontuou. "Porém, não podemos obrigá-los a qualquer coisa, porque é direito deles de irem e virem para onde quiserem."

Já com relação à segurança, o secretário municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki, informou que os agentes da guarda fazem constantes rondas no espaço, mas que o foco maior são as escolas e postos de saúde.

Responsável pela manutenção de áreas públicas, a Secretaria de Obras não tem registrado nenhum solicitação para intervenções na praça Tomi Nakagawa. Segundo o chefe da pasta, João Verçosa, a falta de funcionários acaba comprometendo um trabalho mais constante no local. "A demanda na cidade é grande e o desafio é que temos uma equipe reduzida. Quando chega até nós o problema, como a quebra de bancos de concretos, por exemplo, procuramos consertar", explicou. Ele ainda se comprometeu a enviar uma equipe até o espaço para verificar prováveis avarias.

A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) disse que a limpeza na praça consiste na capina e roçagem, uma vez por mês, enquanto que a varrição, "espetagem", esvaziamento de lixeiras e retiradas de entulhos acontecem quatro vezes por semana. Dependendo da demanda, os serviços podem variar em maior ou menor frequência.

Reportagem da FOLHA publicada no dia 19 de outubro mostra que não é somente a praça Tomi Nakagawa que apresenta problemas. O abandono é também citado pelas pessoas que passam pela região que inclui edificações tombadas pelo patrimônio histórico (como o Museu de Arte), a Super Creche, Pronto-Atendimento Infantil, entre outros.

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