Ibiporã - Pouco mais de um mês após o assassinato da família Murgi, na Barra da Jacutinga, zona rural de Ibiporã (Norte), a imagem do sítio onde havia plantações de frutas, verduras e galinhas, está resumida a escombros e restos de roupas. O cenário parece refletir a dor e tristeza vivida por amigos e familiares desde a tragédia.
O vizinho Osvaldo Quaglio conta que há mais de uma semana alguns familiares estiveram no sítio para derrubar a casa. ''Acho que eles não queriam mais ver aquilo'', comenta.
A porta de entrada da casa continua intactada e marcada pelas balas da arma de fogo utilizada por Marcos Antônio Antunes, 29 anos. Na madrugada do dia 23 de janeiro, segundo a polícia, ele atirou e esfaqueou Elias Murgi, 61 anos, Maria de Lourdes, 60, a ex-esposa Valquíria, 36, e a enteada de 13 anos.
O pai de Elias, seo Orlando Murgi, 94 anos, mora a poucos metros do sítio. Proprietário da terra onde a família morava, ele garante que deixará tudo como está. ''O sítio já estava arrendado. Meu filho estava morando e cuidando da terra'', diz, revelando um olhar de tristeza ao lembrar do filho. ''Ele sempre foi muito trabalhador. Ele que cuidava de mim. Tudo que eu precisava podia contar com ele, inclusive para ir até Ibiporã receber minha aposentadoria. Elias era meu filho querido'', comenta.
Pai de oito filhos, seo Orlando Murgi se diz conformado com a morte de Elias pela fé em Deus. ''Na hora a gente sente. Eu chorei muito no dia, mas depois sabia que não podia ficar com isso na cabeça. Prefiro pensar que foi a vontade de Deus'', desabafa. Quanto à provável morte de Antunes (o corpo foi encontrado na semana passada, em Reserva), seo Orlando diz acreditar que ele tenha se suicidado. ''Acho que a consciência dele pesou'', diz.
O motivo do crime seria passional. Antunes não se conformava com a separação da mulher Valquíria, com quem tem uma filha de três anos. No dia do assassinato, a criança estava no colo da mãe, mas não foi atingida. Um irmão de Valquíria, que também estava na casa, conseguiu escapar e chamar a polícia.
Tratamento
A filha de Valquíria e Marcos, de apenas três anos, presenciou a morte dos avós, da irmã e da própria mãe. A criança foi encontrada junto aos corpos, com muitas marcas de sangue. De acordo com o conselheiro tutelar de Ibiporã, Cleverson Carlos Librais, a Justiça ainda não determinou a guarda provisória e por enquanto a menina está sob os cuidados de familiares de Valquíria.
Parte da família mudou de cidade e a criança foi encaminhada para o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas). Segundo o conselheiro, a família foi orientada pelos técnicos a procurar uma psicóloga para que ela receba um acompanhamento diário. ''Ela tem alguns flashes daquele dia, mas ainda não tem a noção do que realmente ocorreu. É importante que ela tenha um acompanhamento psicológico para tentar superar o trauma, principalmente quando ela atingir uma idade em que passará a compreender tudo o que aconteceu com a família'', comenta.
De acordo com ele, em alguns momentos a menina de três anos demonstra tristeza. Ao ser questionada sobre o motivo, a criança diz que ''papai machucou a mamãe''.

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