Marasmo pode ser revertido
O perfil do professor paranaense levantado pela Secretaria de Educação mostra um profissional desgastado, mas interessado em adquirir conhecimento, no lugar de dinheiro. A pesquisa, concluída neste ano, está servindo de base para que o Estado crie um plano de desenvolvimento do magistério, que será aplicado nos próximos quatro anos deste governo.
A pesquisa foi feita com 2.124 professores médios do Estado, onde se traçou o perfil do profissional, conta o diretor Rubens Junqueira Portugal, do Instituto Rubens Portugal, que assessora a secretaria na elaboração do plano de desenvolvimento. Ele diz acreditar que ainda é possível reverter o marasmo que atinge a maioria dos profissionais.
Segundo a pesquisa, apenas 10% dos professores têm estímulo para transformar o ambiente em que vivem. Estes seriam os mais qualificados (inclusive com formação universitária), que muitas vezes não estariam colocados em posições de liderança. Depois vem um conjunto com 50% do universo do magistério, que perdeu o interesse pela profissão, por falta de estímulo governamental e da sociedade, diz. E, por último, está um grupo em que o profissional teria uma série de deficiências, que atingem até a capacidade de compreensão de um texto.
Portugal considera que este é um dos fatores de desmotivação. Além disso, 52% dos 53 mil professores só perceberam que tinham vocação após entrar no mercado de trabalho. E 30% afirmaram não ter nenhuma qualificação para lecionar.
O consultor afirma que a possibilidade de mudança desse quadro pode ser atingida porque ainda existe interesse dos professores em melhorar. Quase a maioria dos professores - 83% - prefere ter conhecimento a dinheiro. Apenas 1,5% coloca o dinheiro como ambição, diz. Para Portugal, se fosse possível pagar o professor pelo conhecimento, 10% deles estariam ganhando apenas um terço do merecido. Metade estaria ganhando 50% do que merece. E 40% estaria recebendo o dobro das suas qualificações. Mas ele diz acreditar que o problema pode ser revertido. Por isso, o governo deverá reforçar os cursos de aperfeiçoamento. (I.R.)Albari RosaO diretor Rubens Junqueira Portugal, que assessora a Secretaria da Educação no plano de desenvolvimento, diz que os professores estão mais interessados em conhecimento que em dinheiroProfissionais têm uma
série de deficiências,
que atingem até a
compreensão de texto





