''Aqui é assim: quando chove, ou a rua vira um lamaçal ou a água inunda as fossas dos vizinhos e leva as fezes para dentro da nossa casa.'' A situação foi relatada pela auxiliar de enfermagem Maria Otília Martins, de 42 anos, moradora do Jardim Maracanã, na Zona Oeste de Londrina. Para ela e outras mais de mil famílias do vizinho Conjunto João Turquino, o anúncio de uma série de medidas de urbanização nos dois bairros, feito na manhã de ontem, não poderia ter sido melhor.
A ordem de serviço, assinada no Jardim Maracanã, entre a Prefeitura, a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, construtoras e representantes do governo federal estabelece em, no máximo 10 dias, o início das obras. Segundo o prefeito Nedson Micheleti (PT), o montante investido, de cerca de R$ 9,6 milhões, é o maior da atual administração. Ao todo, além de pavimentação nas ruas por onde passam ônibus do transporte coletivo, serão construídas 287 casas, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma quadra poliesportiva, entre outros empreendimentos.
Do total, R$ 6,9 milhões foram obtidos a fundo perdido via União, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, por intermédio do deputado federal José Janene (PP). O restante é dos cofres municipais.
Segundo o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, amanhã mesmo devem começar as construções. Já as ruas que ainda não tem previsão imediata de asfaltamento, informou, dependem de recurso do Programa Paraná Urbano, resultado de convênio que pode ser assinado ainda este mês com o governo do Estado. ''Estamos bastante otimistas em relação a isso'', avaliou.
Para o presidente da Cohab Londrina, Carlos Eduardo Afonseca, o otimismo tem até data para, ''possivelmente'', se materializar. ''O governador Roberto Requião (PMDB) vem para cá dia 24 e esperamos que ele assine o convênio'', resumiu. Além do desenvolvimento, a Cohab será também a responsável pela fiscalização das obras. O órgão havia anunciado a urbanização do bairro em meados do ano passado.
Felizes com a festa armada pela Prefeitura que teve, inclusive, participação de vereadores de quatro partidos diferentes , os moradores ouvidos pela Folha afirmaram que ela vem em boa hora. ''A gente já está cansado de usar sacolinha plástica nos pés quando chove. Tenho dó dos meus filhos quando eles vão à escola e o plástico fura'', disse a auxiliar de enfermagem Maria Otília Martins, de 42 anos. ''Se é para anunciar asfalto, que anunciassem tudo de uma vez, que a gente não aguenta mais fazer novenas para que a situação melhore'', emendou.
Já para a empregada doméstica Olinda Ferreira Alves, 46, o melhor foi a UBS, que, para ela, economizará o transtorno de se deslocar até a unidade do vizinho Panissa quando os cinco filhos precisarem. ''Além de tudo, lá a gente tem que disputar atendimento com gente daqui, de lá e do João Turquino. Espero que melhore.''

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