Máquinas trazem alegria ou desespero
Maigue Gueths
De Curitiba
Transações bancárias, compra de selos, envelopes e aerogramas nos correios, refrigerantes e balas coloridas adquiridas apenas com uma moeda e um girar de botões. Estamos vivendo, definitivamente, uma era onde as máquinas cada vez mais fazem parte do dia-a-dia dos cidadãos. Isto sem falar na Internet, que leva pessoas a viajar pelo mundo apenas através da máquina.
As consequências desta nova realidade são muitas. Nos postos de combustível self-service, assim como nos bancos, por exemplo, automação é sinônimo de desemprego. Já para os usuários, as máquinas têm efeitos diversos, pois assim como ela envolve e descomplica a vida dos jovens, que sequer imaginam uma vida sem botões, ela pode ser um inferno na rotina dos mais velhos.
No Brasil, segundo o Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR) não existem pesquisas conclusivas sobre a relação entre os brasileiros e as maquininhas que povoam o seu cotidiano. Lá fora, as reações são as mais inesperadas. Nos Estados Unidos, estudos mostram que 53% das pessoas xingam as máquinas. Já na Alemanha, pelo menos metade dos usuários a agradecem. Estes dados foram revelados por Stephen J. Emmott, pesquisador da MCR (indústria de produtos tecnológicos da Inglaterra), que esteve recentemente no Brasil como palestrante no Congresso Internacional de Automação Bancária, organizado pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Segundo Emmott, estas pesquisas mostram que a relação do homem com a máquina tende a ser pessoal.
As diferentes reações podem ser vistas apenas observando-se as pessoas diante das máquinas de auto-atendimento. O trivial eu sei, como tirar o saldo. O resto é só com ajuda, diz o aposentado João dos Santos diante de um caixa automático. É mais humano do que estar lidando só com a máquina, diz.
Outra que desconfia da máquina é a office-girl Maria Helena Kupchak. Eu tiro extrato, saldo, e deposito cheques. Quando é em dinheiro vou no guichê, porque dá mais segurança, revela. Já o aposentado Raul Camargo, diz que tira de letra fazer as transações pela máquina. Eu uso a máquina desde que ela surgiu, até empréstimo já fiz por aqui, fala.
Até ônibus com cartão inteligente já começa a fazer parte da rotina do curitibano. Por enquanto, é usado apenas na linha Raquel Prado-PUC, em fase de teste pela Prefeitura. A linha tem 5 mil usuários por dia, mas só cerca de 500 cartões estão circulando por enquanto. Os cartões têm armazenadas um número de viagens, (10, 20 ou 40) e pode ser recarregado quando chega ao final. O diretor de Transportes da Urbs, Euclides Rovani, garante que os cartões não causam desemprego, pois a idéia é adotar um sistema misto.





