Máquinas que marcaram época
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Marcelo Souto<br> Especial para a FOLHA 
A máquina de costura foi um dos combustíveis impulsionadores da Revolução Industrial na segunda metade do século 18. O invento, que ajudou a transformar a economia do mundo, faz parte dos contos infantis, como a Bela Adormecida e povoou durante anos o imaginário de Euclides Franco, aposentado e ex-lavrador de 77 anos, morador do Jardim Paulista, na Zona Norte de Londrina. Desde criança, quando residia em Presidente Prudente (SP), achava as máquinas de costura muito charmosas, por isso, tomei gosto em colecionar, afirma o aposentado, que tem dezenas destas relíquias em sua residência.
A coleção de Franco não se restringe às máquinas de costura. Outros equipamentos que fizeram parte do ofício e do dia a dia de nossos pais e avós, como trançador, moinho de café, moedor de carne, telefone à manivela, furadeira arco de pua, chaleira de aço e ferro de passar à base de carvão, também estão expostos na casa de Franco.
Segundo ele, as peças foram doadas e cada um remete a uma história. Como, por exemplo, a máquina Singer adaptada para eletricidade usada pela sua esposa, Clemência Meira Franco, de 70 anos, na confecção artesanal de tapetes. A evolução das máquinas foi a custo de muitos empregos, porém foi necessária para o aumento e rapidez da produção, comenta.
O antigo lavrador vê as máquinas de costura, atualmente, como geradoras de renda e emprego nas fábricas e também nas residências, onde muitas donas de casa dedicam seu tempo ao ofício da costura. Antigamente, demorava-se um dia para fazer uma camisa numa máquina à manivela. Hoje são apenas cinco minutos, salienta.
Uma das peças que chamam a atenção na casa de Franco é o telefone à manivela. Eram poucos, como os barões do café ou reis do gado, que possuíam condições financeiras de ter um telefone deste em casa. Para os outros, o serviço estava disponível num local centralizado, como numa mercearia de secos e molhados, conta Franco. E, para se fazer uma ligação ou localizar alguém da família, podia demorar até três dias. Mas hoje não, você conversa e vê a pessoa no outro lado do mundo em questão de segundos.


