Máquina Digital - Um clic faz memória instantânea
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de julho de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Vai longe o tempo em que as fotos de família eram registradas apenas periodicamente, nas tradicionais casas de fotos, onde um painel colorido servia de fundo para todos modelos. Os mais velhos também recordam os ''retratistas'' com máquinas simples, quase descartáveis, que batiam na porta das casas, dispostos a registrar a imagem da família, dos filhos, em poses tradicionais. Crianças na carrocinha puxada por carneirinhos, burrinhos pintados de zebras ou mesmo a foto de todos os filhos, cada um numa pose, colocadas estrategicamente no quadro, chamado de Sete Poses.
Mais do que guardar na memória as imagens e momentos importantes de nossas vidas, a fotografia permite compartilhar essas lembranças com outras pessoas. Quem não tem dentro de um armário um álbum com fotos que contam a história da infância dos filhos, da vida dos pais e dos avós? Momentos que ficam eternizados e que, antes da chegada da máquina digital, perdiam apenas para o tempo, responsável pelo amarelado da fotografia. Hoje em dia, a tecnologia permite melhor qualidade, além de recuperar a imagem, eternizando de verdade, as fases importantes da vida de uma pessoa.
E se as fotografias eram responsabilidade dos pais para guardar as lembranças da infância dos filhos, hoje são os jovens os grandes responsáveis pela popularização da fotografia. Com o avanço da tecnologia, os flashes das máquinas digitais acopladas nos celulares, brilham insistentemente, a qualquer momento, mesmo sem um motivo especial.
''Tudo é motivo prá gente fazer fotos. Às vezes, os amigos estão parados, sem fazer nada e aí, a gente clica'', afirma a estudante de biologia, Tatiane Martins Zimerman, de 19 anos, que há dois meses adquiriu um celular com máquina fotográfica e não desgruda do aparelho.
Junto dela, as amigas Fernanda Carolina Redon, de 18 anos e Isabella Shigeharu, de 17, ambas estudantes, também registram tudo no aparelho. Fernanda comprou o celular há quatro meses e Isabella há um ano. ''Gosto de fotografar tudo. Quando tinha máquina com filme, não fazia tanta foto assim'', afirma Fernanda, confirmando as vantagens do equipamento. ''A gente não gasta com filme, com revelação. É bem prático e o legal é que você vê na hora''.
As melhores fotos registradas vão para as páginas do Orkut. ''Estamos sempre atualizando. Às vezes dá dó de apagar algumas fotos, mas é legal sempre trocar e atualizar a página com fotos diferentes'', explica Isabella.
Os amigos também são contemplados via e-mail e dividem os momentos e as histórias de quem está fazendo as fotos. ''A gente tira a foto e envia na hora'', conta Tatiane, que também adora fazer fotos de paisagem.
Os flashes não descansam nem durante as aulas. A turma está sempre registrando os momentos considerados especiais, sempre que os professores estão de frente para o quadro negro. ''No último jogo da seleção brasileira, as salas de aula ficavam cheias de alunos. Isso é inédito e a gente precisava registrar'', brinca Tatiane.
A impressão das fotos nem sempre é necessária. ''Temos a foto no computador ou mesmo no celular. Só imprimimos quando é alguma foto muito especial'', afirmam as jovens. ''Se ficar legal, jogamos a foto no fotolog, damos uns retoques e imprimimos'', conta Fernanda.
Apesar da modernidade, as jovens afirmam que as fotos de papel não perderam o romantismo. ''Adoro pegar a foto ou mesmo folhear os álbuns de família'', afirmam.


