Nostalgia para alguns, curiosidade para outros. A verdade é que a máquina de escrever é uma ferramenta em extinção - a última fábrica foi fechada no início deste ano. Apesar do império dos computadores, as máquinas ainda resistem em algumas casas, empresas e repartições públicas, a começar pela Biblioteca Pública Municipal, que conta com elas em vários setores.
De acordo com o diretor de Bibliotecas, da secretaria municipal de Educação, Rovilson José da Silva, o sistema da biblioteca central ainda não está todo informatizado, por isso as máquinas continuam em uso, mas ele garante que elas estão com os dias contados. ''Estamos aguardando chegar o software que será instalado nos computadores, então as máquinas serão aposentadas'', disse. Ele afirmou que apesar da necessidade do sistema, as máquinas devem continuar na biblioteca pelo menos nos próximos dois anos. ''Muitas pessoas devem achar que esta é uma ferramenta ultrapassada, mas para nós ela cumpre perfeitamente a função, é muito útil, o único problema é o barulho das teclas que incomoda principalmente os mais jovens'', destacou.
A bibliotecária Letícia Baptista Pires tem 24 anos e é funcionária da biblioteca há pouco tempo. Ela afirma que nunca tinha trabalhado com máquina de escrever. ''Quando eu era criança, minha mãe tinha uma escola de datilografia, eu cresci em meio às máquinas, mas ainda não era alfabetizada quando chegaram os computadores portanto, não cheguei a usar a máquina'', lembrou. Ela, que está aprendendo a usar a ferramenta, admite que no início ficou assustada com a ''novidade''. ''Fiquei com receio mas é tranquilo. Tem coisas bem diferentes do computador, mas não é difícil'', disse.
O trabalho que Letícia desenvolve é a ''indexação de revistas''. Um arquivo armazena uma infinidade de fichas com os mais variados assuntos, quando chegam as revistas, Letícia resgata as fichas de cada assunto abordado nas publicações e datilografa os dados da revista que traz aquela temática. ''Quando vier o software, não é só a máquina de escrever que vai ser aposentada, o arquivo também será. Vamos continuar fazendo a indexação mas será tudo digitalizado, inclusive os dados que estão no arquivo. Vai economizar espaço e facilitará a busca pela informação'', explicou.
Nostalgia
Para Letícia, o trabalho na máquina traz a sensação de nostalgia. ''Cada vez que sento na máquina lembro das aulas de datilografia na escola da minha mãe. É nostalgico e não vejo problema nenhum nisso'', afirmou. ''Eu gosto de trabalhar com a máquina porque me traz boas lembranças'', completou.
Meire Soares também é funcionária da biblioteca, ela usa a máquina de escrever para marcar o nome do livro da ficha de empréstimo do usuário. ''Algumas pessoas ficam admiradas ao ver a nossa máquina. Tem pessoas que pedem emprestada para datilografar algum texto'', afirmou. Mas a principal curiosidade parte das crianças. ''Elas ficam encantadas, perguntam para que serve, como funciona e ficam muito curiosas'', concluiu.

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