O novo sistema de mapeamento via satélite testado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode registrar a topografia de locais como a Amazônia, onde a vegetação densa impede a visualização do solo. O projeto também vai auxiliar o IBGE a avaliar os recursos hídricos do País, identificar agentes poluidores e até encontrar habitações em regiões de difícil acesso.
O sistema foi apresentado ontem no Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, que reuniu 480 cientistas de 12 países. Para o diretor-geral de Geociências do IBGE, Guido Gelli, o avanço tecnológico nos programas espaciais foi o fator definitivo para garantir levantamentos socioeconômicos dos 5.507 municípios brasileiros. ‘‘Com os satélites, foi possível garantir a abrangência dos mais de 220 setores pesquisados. O recenseador saiu com um mapa detalhado sobre a região visitada’’, explicou.
Gelli disse ainda que o trabalho de identificação geomorfológica das reservas ambientais e demais regiões inóspitas será o passo definitivo para garantir um ‘‘mapa fiel do Brasil para os brasileiros’’. O registro do solo nestas áreas será viável graças aos radares com Interferometria, equipamento com tecnologia alemã que será implantado em satélites brasileiros. O sistema emite ondas que ultrapassam a folhagem das árvores e refletem de volta ao satélite após tocar a terra. ‘‘Com o novo sistema, teremos finalmente mapas cartográficos mostrando refúgios com e sem vegetação, assim como a biomassa (densidade da mata, altura das árvores, etc)’’, comentou o representante do IBGE.

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