Londrina

Mário CésarTrabalho minuciosoVanderci e Maria Antonieta: estudo indica motivação que deu origem aos nomes dos acidentes geográficosReunir em um só trabalho todas as cidades, rios, montanhas, praias e outros acidentes geográficos do Paraná. E, em cada um deles, indicar a motivação que deu origem aos nomes. Este é o objetivo do projeto de pesquisa ‘‘Pelos Caminhos do Paraná: Esboço de um Atlas Toponímico’’, desenvolvido por alunos e professores do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A Toponímia é um estudo que procura justamente desvendar a origem dos nomes e suas motivações. A idéia de preparar o trabalho nasceu há um ano, a partir de uma viagem à Venezuela. As professoras Maria Antonieta Carbonari de Almeida e Vanderci de Andrade Aguilera, junto com três colegas, conheceram o trabalho similar feito no país vizinho e resolveram aplicá-lo no Paraná.
No Brasil, poucos estudos de Toponímia foram desenvolvidos. Um dos únicos é da professora Maria Vicentina Dick, da Universidade de São Paulo (USP), que trabalha num ‘‘Atlas Toponímico do Brasil’’. As professoras resolveram chamar Maria Dick para vir até Londrina, ministrar curso, e a partir daí começaram o trabalho.
O primeiro passo foi enviar 323 correspondências a cada uma das cidades do estado apontadas no Censo do IBGE de 1990, pedindo nomes de rios, bairros, montanhas etc, além da história de cada uma. A medida que os dados foram chegando, começou a ser feita a classificação.
Maria Dick fez um esquema com 27 classes, cada uma com uma motivação diferente do nome. Por exemplo: motivação religiosa, indígena, nome de estrutura física, de flores, animais, natureza, e assim por diante. Guarapuava, por exemplo, significa ‘‘canto dos pássaros’’, portanto é classificado como ‘‘zootopônico’’; assim como Guaraqueçaba, que significa ‘‘toca do guarᒒ.
Mas o trabalho das londrinenses vai além e propõe também algumas subdivisões, quando necessárias, dentro de cada categoria. Na classe dos ‘‘fitopônicos’’ (plantas), por exemplo, foram acrescentadas cinco subdivisões: fitopônico autêntico vernáculo (que se refere diretamente à planta), autêntico indígena (planta com origem indígena), aparente vernáculo (que sugere ser uma planta, mas na verdade é homenagem à uma pessoa), aparente indígena (parece indígena, mas também é homenagem), etimologia ambígua (quando há dúvidas da origem).
Curitiba, por exemplo, foi apontado no estudo como um nome ‘‘fitopônico autêntico indígena’’, já que significa ‘‘pinheiral’’ ou ‘‘reunião de pinheiros’’. Desta forma também aparece classificado Pitanga (‘‘vermelho’’) e Ivaiporã (‘‘rio da fruta boa’’).
As pesquisadoras ainda não chegaram a um consenso sobre a origem do nome de Londrina. ‘‘A dúvida é se é uma homenagem à cidade de Londres ou se é uma homenagem ao povo inglês’’, explica Vanderci de Andrade. No primeiro caso, a classificação seria ‘‘corotopônica’’ (quando tem por base o nome de outra localidade) e no segundo ‘‘etnotopônica’’ (homenagem à uma etnia).
Em Londrina, o estudo do nome dos bairros já está bastante adiantado. ‘‘Aqui há o predomínio de antrotopônios’’, sentencia Maria Antonieta, que significa nomes de pessoas. No total, são 36% em toda a Cidade. Exemplos realmente não faltam: vila Adriana, Carlota, Cláudia, Guilherme, Leonor, Marísia, Ricardo, Regina, Yara etc.
Tem casos ainda de ‘‘corotopônios’’, como Heimtal (origem russa), Warta (polonesa), Tóquio e outros. E também de ‘‘acronimotopômios’’ (siglas), como vila Sian (significa Seleção Industrias de Artefatos de Madeira S/A, que existia ainda na época da colonização).
Exemplos de ‘‘fitopônimos’’ nos bairros de Londrina também são facilmente encontrados na Cidade, como o caso do conjunto habitacional das Flores, Vitória Régia, Residencial Café, Laranjeiras, Damasco, Catuaí etc.
Até completar o Atlas, as professoras acreditam que haja trabalho para mais dois anos pelo menos. Mesmo porque, na primeira leva de correspondências, menos da metade (40%) das prefeituras responderam, enviando os dados. As pesquisadoras afirmam que pretendem primeiro mandar cartas novamente, depois telefonar e mandar fax. Em último caso, elas garantem que vão até a cidade, bater na porta das prefeituras e solicitar os dados pessoalmente.

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