Maigue Gueths
De Curitiba
A partir da próxima semana, 83 mil moradores de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, passarão por um sistema de rodízio para o abastecimento de água. A Sanepar irá divulgar hoje o roteiro e mapa do racionamento, única alternativa encontrada para garantir que todos recebam água em casa. Há cinco dias, cerca de 15% da população não recebe água, tendo que se virar para conseguir o produto em poços artesianos e bicas. A maioria vive em locais altos ou mais afastados dos reservatórios da Sanepar.
O problema de abastecimento de água na região metroplitana vem acontecendo em função do grande aumento da população na área, sem ter havido um incremento proporcional na rede de abastecimento. Com a chegada do verão, a situação ficou mais grave. O maior problema acontece em Colombo. Dos 163 mil habitantes, 80 mil recebem água normalmente. São pessoas que vivem em locais abastecidas pelo sistema integrado de Curitiba ou pelo sistema Capivari, que serve as proximidades da Estrada da Ribeira. Outros 83 mil são abastecidos pela água retirada do aquífero Karst (lençol d’água subterrâneo). O problema é que, atualmente, o aquífero produz apenas 170 litros de água por segundo, insuficiente para atender a demanda nos dias de calor.
De acordo com o gerente de distribuição de água da Sanepar, Celso Luiz Thomaz, o problema começou em outubro, quando moradores e ambientalistas realizaram manifestações e entraram na Justiça contra a exploração do aquífero. Por decisão judicial, foi preciso parar as obras, que deveriam estar concluídas em dezembro, aumentando a produção de água em 80%. Nesta situação, a água gerada pelos poços existentes é suficiente para abastecer apenas a população das áreas mais baixas. ‘‘Quem mora em locais altos está sem água durante o dia, e alguns não estão recebendo nem à noite. Para garantir que estas pessoas também tenham água, pelo menos em uma parte do dia, estamos tendo que adotar o rodízio’’, diz Thomaz.
A Sanepar também garante que a partir de fevereiro a situação será normalizada em Almirante Tamandaré. Este é outro município da região metropolitana, onde cerca de 3 mil pessoas estão sem água. Segundo Thomaz, as obras de melhorias já foram concluídas no ano passado e estão em fase de testes, passando a funcionar normalmente no próximo mês.

mockup