Presentes em obras da construção civil apenas para realizar a chamada limpeza de fim de obra, as mulheres começam a ter novas oportunidades de trabalho no setor. Com o objetivo de suprir a falta de trabalhadores qualificados ocasionada pelo aquecimento do mercado imobiliário, uma construtora iniciou ontem o primeiro curso de pedreiro-azulejista para mulheres, em Londrina.
A primeira turma - formada por 12 alunas - é composta principalmente por trabalhadoras da área de limpeza. ''Duas delas são funcionárias da construtora, outras trabalham na fase de limpeza de fim de obra e algumas vieram por conta própria'', explica Suzimeire Shawarski de Mello, analista de treinamento e desenvolvimento da empresa A. Yoshii.
O curso, com 12 horas teóricas e 16 práticas, terá duração de quatro semanas. Ontem, sob o olhar desconfiado dos muitos trabalhadores do sexo masculino que estavam no local, a primeira turma feminina visitou a obra de um residencial na Gleba Palhano (Zona Sul).
A zeladora Adriana Lopes, 33, é uma das moças interessadas em dividir com os homens o trabalho de acabamento das obras. ''Quero aprender essa profissão porque a área tem mais oportunidades e o salário é melhor'', disse ela, que é filha de um pedreiro e tem bastante familiaridade com o setor de construção. ''Ajudei meu pai a construir a casa dele'', conta.
Outra aluna é Adriana Valéria de Oliveira Simões, 32 anos, que afirma ter contato com a fase de acabamento das obras por trabalhar na limpeza dos prédios recém-construídos. ''Meu objetivo é fazer esse curso e conseguir um emprego com registro em carteira'', planeja.
O engenheiro civil Luis Carlos Pisicchio, instrutor do curso junto com o também engenheiro Luiz Rogério Venturini, acredita que as mulheres levarão vantagem no serviço por serem habilidosas e mais detalhistas. ''A percepção de acabamento delas é melhor'', acredita.
Ele explica que o serviço exige mais técnica do que força, sendo ideal para a mão-de-obra feminina. ''Além disso, as mulheres têm uma natureza mais cuidadosa e, por isso, devem envolver-se em menos acidentes de trabalho.''
A presença das moças em obras de construção civil é novidade em Londrina mas, de acordo com Pisicchio, muito comum em outros estados. ''No Mato Grosso do Sul há azulejistas há 15 anos'', conta. Segundo o engenheiro, o mercado está tão escasso de pedreiros que, caso já estivessem formadas, as 12 alunas poderiam ser absorvidas pela demanda da construtora.

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