Mãos femininas na obra
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Carolina Avansini<br>Equipe da Folha 
Londrina - Presentes em obras da construção civil apenas para realizar a chamada limpeza de fim de obra, as mulheres começam a ter novas oportunidades de trabalho no setor. Com o objetivo de suprir a falta de trabalhadores qualificados ocasionada pelo aquecimento do mercado imobiliário, uma construtora iniciou ontem o primeiro curso de pedreiro-azulejista para mulheres, em Londrina.
A primeira turma -formada por 12 alunas- é composta principalmente por trabalhadoras da área de limpeza. Duas delas são funcionárias da construtora, outras trabalham na fase de limpeza de fim de obra e algumas vieram por conta própria, explica Suzimeire Shawarski de Mello, analista de treinamento e desenvolvimento da empresa A. Yoshii.
O curso, com 12 horas teóricas e 16 práticas, terá duração de quatro semanas. Ontem, sob o olhar desconfiado dos muitos trabalhadores do sexo masculino que estavam no local, a primeira turma feminina visitou a obra de um residencial na cidade.
A zeladora Adriana Lopes, 33 anos, é uma das moças interessadas em dividir com os homens o trabalho de acabamento das obras. Quero aprender essa profissão porque a área tem mais oportunidades e o salário é melhor, disse ela, que é filha de um pedreiro e tem bastante familiaridade com o setor de construção. Ajudei meu pai a construir a casa dele, conta. Outra aluna é Adriana Valéria de Oliveira Simões, 32, que afirma ter contato com a fase de acabamento das obras por trabalhar na limpeza dos prédios recém-construídos.
O engenheiro civil Luis Carlos Pisicchio, instrutor do curso, acredita que as mulheres levarão vantagem no serviço por serem habilidosas e mais detalhistas. A percepção de acabamento delas é melhor, acredita.
Ele explica que o serviço exige mais técnica do que força, sendo ideal para a mão-de-obra feminina. Além disso, as mulheres têm uma natureza mais cuidadosa e, por isso, devem envolver-se em menos acidentes de trabalho.
A presença das moças em obras de construção civil é novidade em Londrina mas, de acordo com Pisicchio, muito comum em outros estados. No Mato Grosso do Sul há azulejistas há 15 anos, conta. Segundo o engenheiro, o mercado está tão escasso de pedreiros que, caso já estivessem formadas, as 12 alunas poderiam ser absorvidas pela demanda da construtora.


