Mão na massa e sorriso no rosto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de novembro de 2010
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Rolândia - Um espaço em meio à natureza e muita boa vontade preencheram a lista de ingredientes de uma receita caseira pra lá de fácil e gostosa, especialmente como lembrancinha de Natal: biscoitinhos amanteigados. E foram 19 alunos da educação especial da Escola Municipal Vitório Franklin, de Rolândia (Norte), que colocaram a mão na massa para preparar a delícia.
A coordenadora da educação especial do colégio, Dora Consani, decidiu aceitar o convite dos proprietários de uma chácara próxima à zona urbana da cidade e tirou os alunos da sala, num dia normal de aula, para que experimentassem uma manhã diferente. E o resultado foi tão positivo, que os donos do recanto já estão pensando até em fazer da visita uma rotina na pousada.
''É uma angústia para as professoras pois os alunos quase não saem da escola, por isso esse convite veio em boa hora'', comentou Dora, explicando que os estudantes são portadores de diferentes tipos de deficiência intelectual e têm dificuldade de concentração. ''É difícil para eles memorizarem então é preciso trabalhar sempre no concreto. Eles precisam ver e participar para entender'', completou a professora Ivone Rizzo.
E não faltou mão na massa durante o passeio. Depois de misturarem os ingredientes, doados pelos anfitriões, as crianças recortaram os biscoitinhos nos mais diferentes formatos, sob a supervisão das professoras, de voluntários e da dona da pousada, a produtora rural Ursula Saegesser, guardiã da receita.
Batizado de mailendãrli (ou bolacinha de Milano), o biscoito leva basicamente farinha, açúcar, manteiga e ovos. ''Não sabia fazer mas estou gostando'', disse a estudante Vanessa, de 8 anos, enquanto recortava uma árvore de Natal na massa, com a ajuda da colega Alessandra, 8. Já o companheiro Rafael, 10, preferiu misturar a massa. ''Acho que vai ficar gostosa depois de assada'', sugeriu.
Ao lado, outro grupo finalizava os detalhes das bolachinhas, que ganharam pinceladas de ovo antes de dourar ao forno. ''Colocamos açúcar, ovo, manteiga e farinha e mexemos tudo antes de usar o rolo'', ensinou Miriam, 10, enquanto recortava um coração.
Além do contato com a natureza e com a culinária, os estudantes puderam ainda se comunicar com três estrangeiros que estão hospedados na pousada e os ajudaram a preparar os biscoitos natalinos. O francês Fabrice Menoyot e as irlandesas Emily Oconneli e Donna Schwarz são intercambistas e trabalham em Rolândia há algumas semanas.
''Mais importante que conhecer a natureza é mexer com as mãos'', avaliou Adrian Saegesser, filho da proprietária da pousada. Para ele, a experiência funcionou tão bem que a família pensa em convidar as crianças para um passeio pela trilha ecológica na mata nativa da chácara ou coletar frutas no pomar. ''Essa será uma experiência que eles jamais irão esquecer'', resumiu a coordenadora Dora Consani.


