Curitiba - A popularização do uso de equipamentos de raio-x e de radiodiagnóstico em todo o País aumenta a preocupação dos profissionais de saúde com a qualidade e a segurança desses serviços. ''A fiscalização não é tão eficiente quanto deveria ser, principalmente em hospitais públicos'', alerta o médico, especialista em radiologia e diagnóstico, Lutero Marques de Oliveira. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Sistema Único de Saúde (SUS), 290 dos 399 municípios do Paraná possuem equipamentos de diagnóstico por imagem. No total, são 5.221 aparelhos de raio-x.
A preocupação com a qualidade dos serviços de radiodiagnóstico é justificada. ''A exposição excessiva à radiação ionizante pode causar efeitos de longo prazo, como o desenvolvimento de leucemia, linfoma, câncer nos ossos e na tireóide'', explica Oliveira. ''O problema é que a radiação é acumulativa. Se a pessoa faz um raio-x, recebe uma dose pequena, quase insignificante de radiação. Só que ela se soma a outras exposições que o paciente venha a sofrer ao longo da vida, o que pode ter consequências negativas no longo prazo'', aponta.
O uso de equipamentos de radiodiagnóstico não representa, em si, um perigo. ''Estamos expostos à radiação o tempo todo'', explica Danyel Soboll, especialista em física médica e radioterapia.. ''Se o equipamento está com a manutenção em dia, os cuidados com a segurança são criteriosos e o profissional que o opera é qualificado, o raio-x é seguro'', afirma.
Não se trata de dizer que a exposição à radiação eletromagnética sempre terá resultados negativos. ''O efeito varia de acordo com a dosagem recebida e com o organismo. E pode variar de uma pessoa para outra'', diz Soboll. Outro fator que influencia o efeito da radiação no organismo é a quantidade. ''Mas varia de uma pessoa para outra, de uma condição para outra'', diz Valdelice Teodoro, presidente do Conselho Nacional de Radiologia.
Ela reconhece que os problemas levantados pelos profissionais entrevistados pela FOLHA são conhecidos. ''Existe casos em que se instala o aparelho sem seguir a norma'', declara. Segundo ela, a única forma de combater o problema é denunciar. ''As denúncias precisam ser encaminhadas para a Vigilância Sanitária'', recomenda.
Um médico que trabalha para prefeituras do Litoral e da Região Metropolitana de Curitiba, que pediu para não ser identificado, relatou que em algumas clínicas médicas os equipamentos estão instalados em salas sem blindagem e sem equipamento de proteção. ''Até hoje só vi um hospital que tinha projeto físico-nuclear e os demais recursos de segurança necessários nesse tipo de instalação'', alerta.
A instalação e operação de equipamentos de radiodiagnóstico é regulamentada por portarias da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária e por normas técnicas que determinam as medidas obrigatórias de segurança. ''Para instalar qualquer equipamento de radiodiagnóstico em clínica ou hospital, é preciso um projeto físico-nuclear que determina desde a localização do aparelho até a blindagem das paredes e a instalação de ambientes obrigatórios segundo a norma'', explica Soboll.

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