Manutenção de cães vira polêmica
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
A Prefeitura de Campo Mourão quer que a Sociedade Protetora dos Animais (SPA) assuma o tratamento dos cachorros que forem apreendidos pelas ruas da cidade pela carrocinha. A proposta já foi apresentada à entidade e deve ser oficializada hoje à tarde, durante reunião que será intermediada pelo promotor Guilherme Maranhão Sobrinho. O encontro de hoje é mais um capítulo da novela que se arrasta desde o início do ano.
Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente e vice-prefeito Márcio Nunes (PTB), a prefeitura estaria disposta a pagar durante seis meses o aluguel de um canil para que a SPA cuide dos cães apreendidos. A prefeitura também ajudaria nos primeiros meses com a alimentação dos animais. Toda a ajuda, no entanto, não passaria de seis meses. Vencido esse prazo, o município continuaria fazendo apenas a apreensão dos cachorros.
O nome já diz, a Sociedade Protetora dos Animais é quem deve protegê-los, afirma Nunes. A proposta de repassar os cães para a entidade surgiu diante da polêmica sobre o sacrifício dos cachorros apreendidos. Apesar da Câmara de Vereadores ter rejeitado um projeto de lei que proibia a matança, a prefeitura não se arrisca ao sacrifício porque descobriu uma lei estadual que não permite que os animais sejam mortos.
O município tem medo que o início dos sacrifícios gere uma ação judicial e a apreensão dos animais tenha que ser suspensa até que a ação seja julgada. Sem matar os cachorros sem dono, no entanto, o pequeno canil construído no Horto Florestal enche rapidamente e o caminhão comprado para fazer a coleta dos cachorros tem que ficar parado por excesso de lotação. Atualmente, cerca de 25 cachorros estão apreendidos.
Para piorar a situação da prefeitura, a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que chegou a pegar uma remessa de cães para usar como cobaia nos cursos de Medicina e Odontologia, não quer mais os cachorros de Campo Mourão. A entidade quer evitar entrar na polêmica que agita a cidade. Ao mesmo tempo, moradores da periferia cobram a atuação da carrocinha e colocam a prefeitura em xeque.
Já que a SPA não quer que os cachorros sejam sacrificados, então deve cuidar deles, salienta Nunes. O secretário sugere que a entidade faça campanhas para arrecadar dinheiro e manter os animais. Eles também podem fazer campanhas para adoção dos cachorros, frisa. Nunes diz que a prefeitura vai se comprometer a não recolher mais do que 20 cães por semana. Pela lei municipal em vigor, os animais podem ser sacrificados três dias após a apreensão.


