Manual para cão de apartamento
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Os animais de estimação têm ganhado cada vez mais espaço na vida das pessoas. Seja morando em uma casa ou em um apartamento, a maioria da pessoas já teve ou tem um bichinho. Mas será que o animal pode se adaptar bem a um local menor e viver feliz?
A professora de clínica médica de pequenos animais da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Flavia Navas Padilha, esclarece que não necessariamente o cão de apartamento é mais estressado que o animal que vive em uma casa. ''Isso depende da personalidade do animal, que está diretamente ligada à raça; algumas são mais calmas e outras têm nível de atividade maior'', explica. ''As raças mais calmas se estressam menos em ambientes menores e as raças mais agitadas exigem um pouco mais de espaço.''
De acordo com Flavia, o nível de estresse do pet está relacionado diretamente à atenção que o dono dedica. ''Espaço menor para raças mais agitadas irá exigir do proprietário maior nível de atividade com o animal, como levar para passear duas ou três vezes por dia e fazer brincadeiras'', orienta.
A professora observa que outro fator de influência é a presença ou não de pessoas e outros animais no apartamento. ''Normalmente, o animal que tem companhia de outro é um pouco menos estressado que o animal que vive sozinho em um apartamento, mas isso não é regra'', ressalta.
Síndrome de separação
Flavia alerta que quando o animal fica muito tempo sozinho em casa, ele desenvolve uma espécie de síndrome de separação do dono e começa a destruir tudo o que vê pela casa, como móveis, sapatos e tapetes. ''Eles se tornam depressivos, tristes e acabam fazendo isso para chamar atenção'', explica.
E, caso o problema não seja solucionado, Flavia detalha que o animal começa a desenvolver Transtorno Obssessivo Compulsivo (TOC), assim como o ser humano. ''Os gatos, por exemplo, chegam a criar placas de ferida na pele de tanto lamber por estresse. Eles acabam se automutilando'', diz.
Segundo a médica veterinária, para que o animal não desenvolva esse alto nível de estresse morando em um apartamento, o cuidado deve começar ao escolher a raça. ''A pessoa não deve escolher a raça somente pela beleza; o proprietário deve pesquisar as características e verificar qual associa-se mais ao seu perfil'', orienta. ''Livros e sites dão parecer sobre as características de cada raça. Por exemplo, um pinscher ou um beagle, apesar de ter porte grande, são muito agitados. O dono terá que levar em consideração isso, se for levá-los para um apartamento.''
A professora veterinária orienta que as raças mais adequadas para se ter em um apartamento são as orientais, como lhasa apso, shitzu e tibet. No entanto, apesar de serem raças que se adaptam a locais menores, isso não significa que o cão não exija atenção do dono. ''Independente da raça, o ideal é que sejam programados alguns horários do dia para que o dono dedique atenção ao animal.''


