Manual: o melhor amigo do consumidor
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
''Leio tudo sobre um produto para comprá-lo, inclusive comparo manuais e preços pela internet antes de ir à loja'', diz a administradora Cristiane Lopes Trescenti, 25 anos, que tem uma pasta específica para guardar manuais de aparelhos e outras duas para notas fiscais e garantias. ''Faço isso desde que comecei a morar sozinha, aos 19 anos.''
Diferente do que pensa a maioria dos consumidores, para ela a linguagem dos manuais é ''simples e muito explicativa''. Ela brinca que até já deu aula para vendedores. ''Fui na loja três vezes antes de decidir comprar a minha TV porque o vendedor não sabia me ensinar nem a usar o controle remoto. Voltei para casa, baixei o manual pela internet e voltei lá para explicar para ele'', conta.
Cristiane pesquisa tanto que há dois anos quer comprar uma câmera digital e ainda não encontrou o modelo exato, devido às diferentes especificações técnicas que encontra nos manuais. ''Leio o que me interessa e, quando quebra alguma coisa, recorro ao manual antes de levar ao técnico'', completa.
A partir das informações dos manuais, ela já montou sozinha um guarda-roupas e uma passadeira, e descobriu que o filtro só garante uma filtragem de qualidade até 800 mililitros de água. ''O único manual que ainda não tive coragem de ler inteiro é o da calculadora, que tem muitos termos técnicos.''
O cirurgião dentista Juliano Tutida, 37 anos, cultiva o mesmo hábito e costuma guardar os manuais junto às notas fiscais e certificados de garantia. Até hoje, o manual mais complicado que ele leu foi o de uma câmera fotográfica, com cerca de 300 páginas de pura informação técnica. ''Fui lendo no meu tempo livre e só consegui ler uma vez'', comenta Tutida.
Para ele, é importante saber o máximo de informações sobre eletroeletrônicos para não correr o risco de perder a garantia. ''Manuais ainda são bastante técnicos, mas sempre busco ajuda na internet, onde também pesquiso e comparo informações sobre diferentes marcas antes de comprar.''
Segundo Osni Vicente, professor de instalação elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é importante lembrar que todo equipamento deve vir acompanhado de um manual de instruções. ''Hoje, algumas empresas não entregam o manual justamente para cobrar pela instalação ou qualquer outro serviço.''
Conforme Vicente, além de indicar condições de uso, os impressos devem trazer informações sobre manutenção, principalmente para aparelhos que apresentam desgaste mecânico com o tempo, e cuidados básicos de limpeza. ''Em geral os manuais vêm, no mínimo, em duas línguas e as informações estão mais acessíveis ao público, mas mesmo assim o consumidor ainda lê pouco'', avalia o engenheiro, acentuando que a maioria continua fazendo os aparelhos funcionarem na base da tentativa e erro.
''Muitos equipamentos modernos já foram projetados para as tentativas e não dão problema, mas esta não é a regra'', alerta Vicente. Segundo ele, a leitura do manual é altamente recomendada antes da utilização de equipamentos motorizados, por exemplo, que trabalham mais e puxam mais corrente elétrica.
Segundo ele, dá para confiar nos manuais disponibilizados pela internet e, inclusive, comparar especificações técnicas e preços. ''É uma medida útil'', conclui o engenheiro, que compara o engavetamento dos manuais a uma piada de mau gosto: ''Todo mundo diz que em último caso se lê o manual, mas o certo é exatamente o contrário''.


