O projeto de lei que determina a castração de cães e gatos em Curitiba não vingou. O plenário da Câmara dos Vereadores decidiu manter o veto do prefeito Cassio Taniguchi para o projeto do ex-vereador Borges dos Reis (PSDB), proposto em junho do ano passado. A decisão não agradou à Sociedade Protetora de Animais, que via na aprovação do projeto a solução para o problema dos animais abandonados nas ruas. Dados da prefeitura apontam a existência de 230 mil cães em Curitiba. Desses 20% são abandonados e outros 20% são semidomiciliados, ou seja não são contidos nas residências e transitam pela cidade.
O projeto foi vetado pela primeira vez em janeiro deste ano. Com o veto mantido ontem, por 20 votos a 11, não há como recorrer. No entanto, o vereador André Passos (PT) disse que o projeto será reformulado e apresentado à Câmara ainda este ano, com o objetivo de solucionar o problema. A proposta previa, além da castração de cães e gatos, a criação de um cadastro no Setor de Zoonoses da prefeitura. De acordo com o projeto sempre que os animais fossem comercializados, a castração seria obrigatória, exceto em caso de reprodutores, que teriam cadastro próprio. A castração seria responsabilidade da prefeitura.
Para o veterinário Marcus Vinicius Cosin, da Sociedade Protetora dos Animais, a castração gratuita seria uma solução para evitar o abandono e os maus-tratos sofridos pelos animais.
A diretora do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Margarida Maria Lenzi, informou que os custos inviabilizariam o projeto. Ela opina que a prefeitura não pode arcar com este ônus e que a solução para o problema depende da conscientização da população. Para Margarida somente a castração não resolveria o problema da disseminação de zoonoses e proliferação de animais abandonados. ‘‘É preciso conscientizar a população sobre a responsabilidade em adquirir um animal’’, defende.
Margarida explica ainda que a prefeitura propõe a parceria com clínicas veterinárias, universidades e ONGs para desenvolver ações nesse sentido. Além disso, a prefeitura quer que essas entidades se comprometam a reduzir os custos da castração para pessoas carentes. A intervenção cirúrgica nos animais custa atualmente cerca de R$ 200.

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