'Manter tudo é verdadeiro milagre'
A italiana Lidia Stasi, 77, conheceu madre Leônia Milito ainda adolescente, aos 14 anos, quando decidiu tornar-se uma religiosa franciscana. ''Ela já era uma religiosa daquela ordem e foi a responsável pela minha acolhida. Mais tarde foi a minha mestra de formatura'', recorda irmã Lidia.
Em 1953, ainda junto de Madre Leônia, ela acabaria vindo para o Brasil. Ao todo, um grupo de 18 religiosas, jovens, entusiasmadas e lideradas pela madre. Até 1957 ficaram no interior de São Paulo, quando surgiu a oportunidade da transferência para Londrina, ''cidade de poeirão vermelho, com pequena ponte de madeira sobre o Ribeirão Cambé para charretes e pedestres'', conforme relata a religiosa, que também participa do Capítulo.
E foi na terra vermelha que madre Leônia encontrou um bom amigo, também cheio de entusiasmo, primeiro bispo da diocese criada em 1956, dom Geraldo Fernandes. A ele, conforme recorda irmã Lidia, a madre passou a confidenciar um certo descontentamento com a distância e a falta de contato com as superioras de sua congregação, que estavam na Itália. Telefonema era artigo caro. Internet não existia.
O bispo levou a observação a Roma, com o destaque de que ele próprio achava pertinente a criação de uma nova congregação de mulheres religiosas no Brasil. Voltou para Londrina com a autorização papal. ''Ele queria uma congregação para cuidar dos pobres e evangelizar. Era o mesmo desejo da madre. Combinou'', simplifica a freira italiana. Era março de 1958. Nascia a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, as Missionárias Claretianas.
Rapidamente a congregação cresceu, espalhando-se pelo Brasil e pelo mundo. O dinheiro que sustenta a obra, conforme explica a superiora da congregação, Ana Bruscato, 58, vem do trabalho das próprias religiosas, que partilham tudo, até as aposentadorias. Doações da comunidade e financiamentos de projetos por parte de órgãos oficiais ou não e do próprio Vaticano engrossam as receitas.
''Manter tudo isso funcionando, e bem, é um verdadeiro milagre'', comenta irmã Ana, gaúcha de Montauri. Ao final do Capítulo, depois de muito estudo, uma nova superiora será eleita. Irmã Ana termina seu segundo mandato de seis anos e não pode ser reeleita. (W.S.)





