Mansão Palhano estava sem seguro há dois anos
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terça-feira, 03 de março de 2015
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina A boate Mansão Palhano, destruída por um incêndio na noite de segunda-feira, na zona sul de Londrina, estava sem seguro há dois anos. Os proprietários da casa noturna não encontraram seguradoras dispostas a renovar a apólice depois do incêndio da boate Kiss, que matou 243 pessoas, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013.
Segundo Renan Massaro, um dos sócios da Mansão, a boate esteve segurada nos dois primeiros anos de funcionamento, mas a partir de 2013 não foi possível a renovação. "Fizemos contato com várias seguradoras e quando informávamos o ramo de atividade, elas simplesmente alegavam que não faziam a cobertura. Estávamos dispostos até a pagar mais por isso, mas o empecilho não era a questão financeira", frisou Massaro. A Mansão Palhano comemoraria cinco anos de atividade no fim do mês.
O contrato de locação do imóvel onde estava a casa noturna exigia que o empreendimento tivesse seguro. "Chegamos a apresentar um fiador já que não conseguíamos renovar o seguro", relatou Carlinhos Grade, consultor da boate. "Investimos mais de R$ 500 mil em equipamentos de segurança, isolamento térmico e seguíamos todas as normas exigidas. Não seria inteligente da nossa parte não termos um seguro. A perda foi total", revelou Massaro.
Sem saber ainda o tamanho do prejuízo, os proprietários aguardam os laudos periciais que irão apontar as causas do incêndio. Eles prometem honrar todos os compromissos com os 50 funcionários e com fornecedores. Sobre o futuro do empreendimento, há poucas perspectivas. "Vamos aguardar para ver sobre os danos estruturais, mas reabrir a Mansão é inviável pelos investimentos necessários. Talvez o pub", relatou Renan Massaro. O pub funcionava na parte da frente do prédio, e não foi atingido pelo incêndio.
Dino Biaggi, outro sócio, escreveu em uma rede social que o incêndio levou embora um sonho e um projeto de vida. "A Mansão volta?? Não, infelizmente não!Depois do ocorrido em Santa Maria não conseguimos realizar seguro, portanto, tudo foi perdido!! Não sei quanto tempo levará para me reerguer, mas honrarei com todos compromissos!".
Por meio da assessoria, o Sindicato das Empresas de Seguros do Paraná (Sindseg-PR) admitiu que algumas seguradoras "relutam em segurar estabelecimentos deste segmento já que muitos não cumprem as normas de segurança exigidas pelas prefeituras e Corpo de Bombeiros". Nenhum diretor do Sindseg quis conceder entrevista.
O projeto de lei 2020/2007, de autoria da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), prevê a obrigação da contratação de seguro para casas noturnas e boates com capacidade superior a cem pessoas. O PL já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda apreciação do Senado.


