Mansão era laboratório de pirataria
A Polícia Nacional paraguaia descobriu um laboratório de gravação de fitas cassete piratas, que funcionava em uma mansão no bairro Boquerón, o mais sofisticado de Ciudad del Este, que faz fronteira com Foz do Iguaçu. No local, foram encontradas cerca de 150 mil fitas - parte delas já gravada e parte virgem - e 30 máquinas de gravação.
O paraguaio Nicolás Dominguez, de 30 anos, foi preso no local. Segundo a Polícia Nacional, ele seria uma espécie de administrador do laboratório clandestino. A mansão, que ocupa metade de um quarteirão e tem nove grandes cômodos, estava alugada em seu nome por US$ 2 mil mensais (cerca de R$ 2,6 mil).
De acordo com as investigações, o dono do negócio seria o uruguaio José Suarez, que está foragido. As fitas pirateadas - principalmente de artistas latino-americanos e brasileiros - seriam destinadas aos mercados uruguaio, argentino e brasileiro.
Viviano Machado, chefe do Comando Antipirataria da Polícia Nacional paraguaia, disse à Folha que cada uma das 30 máquinas reproduzia uma média de 24 fitas por hora - o que poderia somar mais de 17 mil fitas gravadas por dia. O sistema de gravação era rudimentar e o produto, com baixa qualidade de som.
Além das fitas e das máquinas, a polícia encontrou na casa uma quantidade ainda não apurada de capas de papel para fitas, blocos de notas e um caderno com nomes de supostos compradores dos produtos pirateados.
A descoberta do laboratório ocorreu por acaso, no início da tarde de domingo. Dois homens que ocupavam uma caminhonete Isuzu tentaram arrombar o portão lateral da mansão. O guarda de uma casa nas proximidades atirou contra eles, que fugiram, e depois chamou a polícia.
Os policiais que chegaram para apurar a suposta tentativa de roubo, encontraram o material falsificado.
Com o apoio dos Estados Unidos, o governo paraguaio desenvolve, há cerca de dois anos, uma acirrada luta contra a pirataria. Segundo Machado, a quantia de produtos apreendidos no país nesse período já ultrapassa o equivalente a US$ 50 milhões.
Maringá No Brasil também houveram apreensões significativas, em blitz que teve o acompanhamento até do ministro da Justiça, Renan Calheiros. Em setembro, em Maringá a Polícia Federal apreendeu cerca de 2 milhões de fitas e CDs virgens que seriam usados em falsificações. O empresário Eder Carlos Furlan foi identificado como o maior falsificador do País. Mais de 800 pontos de vendas de todo o País recebiam o material de Furlan. Preso, o empresário pagou fiança de R$ 25 mil e foi solto.Ney de SouzaFalsificaçãoGuarda da Polícia Nacional empilha as capas das fitas piratas encontradas na casa em Ciudad del EsteValmir Denardin





