Manoel anda 30 Km por dia. No final do mês recebe R$ 150
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sábado, 16 de agosto de 1997
Da Redação 
Marcos BorgesO mais antigoManoel: na associação desde a fundaçãoDos 47 trabalhadores cadastrados pela Acaprel, apenas três são mulheres chefes de famílias. Entre os 44 catadores, a maioria é formada por trabalhadores com idade acima dos 45 anos, que perderam o emprego nos últimos anos basicamente na construção civil, na metalurgia e na indústria de confecções.
Nestes tempos bicudos, eles encontraram na coleta e venda diária de papéis usados a única ocupação possível para o ganho do dinheiro necessário à sobrevivência de suas famílias.
Manoel Rosa de Matos, 55 anos de idade, viúvo, ex-trabalhador do comércio e ex-chacareiro, cata papéis há cinco anos. Ele é fundador e o mais antigo membro da associação. Sem salário de aposentadoria, mora de favor no fundo de uma loja no centro da Cidade. Acorda sempre cedo, porque faça sol ou chuva, a partir das 7 horas ele está com o carrinho na rua, e só volta para o depósito por volta das 18 horas.
Ele calcula que anda cerca de 30 quilômetros por dia, encontrando em média 80 quilos de papéis. Ao final do mês, recebe no máximo R$ 150,00. O trabalho é muito cansativo; temos que andar e carregar muito peso o dia inteiro. Minha perna esquerda chega ao final da tarde completamente adormecida, de tanto puxar o carrinho para baixo e para cima, reclama Manoel de Matos.
Apesar de já ser catador há cinco anos, ele diz que ainda não se adaptou ao serviço. É uma profissão muito difícil, desgastante. Só estou nela porque na minha idade, não encontro outro tipo de emprego, comenta Manoel de Matos. A situação só vai melhor quando a associação conseguir vender o papel diretamente para a indústria, fugindo dos atravessadores. Daí, poderíamos conseguir um preço maior e receber um pouco mais de dinheiro por mês. Do jeito que está, é muito duro para nós.
O ex-trabalhador rural e ex-servente de pedreiro Eduardo de Paula é catador de papéis há 12 anos. Ele começou na profissão em Ourinhos (interior de São Paulo), e chegou a Londrina há pouco mais de quatro anos. Desquitado, ele deixou mulher e um filho na capital paulista, para quem manda parte dos pouco mais de R$ 100,00 que recebe ao final de cada mês.
Segundo os cálculos, ele puxa diariamente o carrinho por cerca de 20 quilômetros pelas ruas do centro da Cidade. Ao final do dia, Eduardo consegue pegar em média 90 quilos de papéis. Sem ter dinheiro para alugar um imóvel, ele mora de favor no fundo do depósito da Luzemar, onde cuida dos 32 carrinhos da Acaprel durante o período noturno.
O trabalho é cansativo, mas não tenho preguiça. Já cortei muita cana e já ajudei a construir muitos edifícios na minha vida. Como o desemprego é grande, catar papel até que é uma boa saída, afirma Eduardo de Paula. Apesar de sentir muita dor nos pés à noite, o serviço é bom e gostoso. A gente acaba conhecendo muitas pessoas e fazendo novas amizades.


