Dorico da SilvaVítimaOlinda, no hospital: ‘Preciso conseguir uma prótese para poder cuidar da minha casa e da minha filha’A auxiliar de serviços gerais Almerinda Ferreira Duarte, 55 anos, moradora no jardim dos Pássaros (zona norte), foi submetida a cirurgia anteontem pela manhã, após sofrer acidente dentro de um ônibus da empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). O acidente aconteceu por volta das 7 horas, quando o ônibus que faz a linha 501 deixava o terminal do Vivi Xavier. Segundo a filha de Almerinda, Ana Cláudia Duarte Chequetti, a causa foi a manobra feita pelo motorista. ‘‘Minha mãe estava sentada do lado da janela e, por causa da forma brusca como ele fez a curva, foi jogada para o outro lado do ônibus.’’
Segundo Ana Cláudia, ao bater a boca, Almerinda teve fratura alveolar (cavidade onde estão implantados os dentes) e acabou perdendo três dentes inferiores. Foi levada para a Santa Casa e submetida a cirurgia para implantação de um dente.
A filha de Almerinda estava revoltada com a situação. ‘‘Isso não pode ficar assim. Se minha mãe estivesse em pé, justificaria a queda. Mas estava sentada e foi atirada para o outro lado.’’ Ana Cláudia Chequetti critica o descaso da empresa TCGL. ‘‘O fiscal do terminal que veio trazer minha mãe disse que acidentes acontecem e largou minha mãe aqui no hospital. Isso é um absurdo!’’
Dorico da SilvaAna, filha de Almerinda: ‘Absurdo’
Ana Cláudia afirma que, por ser responsável pelo acidente, a empresa tem obrigação de acompanhar o caso e indenizar o passageiro pelos danos causados. ‘‘Não quero dinheiro. Quero que minha mãe possa fazer depois o tratamento necessário para corrigir esse problema’’, disse a filha.
Outra vítima de acidente envolvendo transporte coletivo está internada na Santa Casa. A diarista Olinda Maria de Araújo, 41 anos, teve a perna direita amputada após acidente ocorrido no último dia 24. Ela conta que estava descendo do ônibus no ponto localizado na avenida Madre Leônia Milito, parque Guanabara (zona sul), para deixar a filha na creche, quando o cobrador acionou a campainha, autorizando o motorista a deixar o local. ‘‘Eu estava descendo e a porta se fechou. Não deu tempo nem de olhar para trás e fui jogada no chão’’, lembra Olinda.
Ela disse que em seguida ouviu os gritos dos passageiros que tentavam avisar o motorista. ‘‘Nesse momento a roda ficou sobre a minha perna’’, ela se recorda. A perda do membro, contou a diarista, foi percebida logo que policiais que passaram pelo local tentaram socorrê-la. ‘‘Eles me levantaram e eu vi que não tinha mais a perna. Pedi para me largarem para não perder a outra.’’
Mãe de três filhos, a mais nova com três anos, Olinda trabalhava todos os dias da semana como diarista. O dinheiro complementava a renda familiar. ‘‘Agora preciso conseguir uma prótese para poder ao menos cuidar da minha casa, da minha filha pequena.’’
Ela conta que seus familiares tentaram contato com a direção da TCGL para tentar uma indenização, mas nada conseguiu. Além da cirurgia para amputar a perna, Olinda foi submetida a outra, nas duas pernas, para remoção de tecidos necrosados. Os médicos estão tentando controlar com antibióticos a infecção nas duas pernas (coto e parte onde houve remoção de tecidos) para, depois, fazer cirurgia de enxerto e plástica.

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