Na calçada transformada em leito, o homem dorme o sono sem conforto dos excluídos. Ao acordar, com a cabeça ainda zonza pelo provável excesso de substância etílica no sangue, ele mais uma vez não vai saber para onde ir. Não há mulher esperando-o, não há compromisso marcado, nem filhos ansiosos no portão. Mas a refeição por fazer, desta vez, ganhou um aliado. O alimento sagrado cuidadosamente deixado ao seu lado sabe-se lá por quem vai saciar, como faz há séculos, a dor ingrata da fome. (Silvana Leão, de Londrina)

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