Manilhas tomam conta de rua em Guaravera
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Casa simples, mulher, criança, muito barro, cão e manilha para escoamento de água pluvial. É o plural de cada item que compõe o cenário de uma rua no Distrito Rural de Guaravera, na Zona Sul de Londrina. ''Há anos estamos esquecidos aqui. Não temos asfalto, essas manilhas jogadas não deixam a água escoar e impedem a capina do mato. As crianças correm para lá e para cá e vivem doentes'', reclama Idalina Aparecida Ricardo de Sá, 42 anos, moradora há 27 do distrito.
Ela conta que há mais de um ano as manilhas estão espalhadas pelas beiradas da exígua estrada de terra. ''Era uma obra da prefeitura que ia escoar a água pelo sítio. Mas eles deixaram tudo aí e ninguém dá uma resposta para a gente. O problema é que não podemos nem roçar o mato e até as máquinas para melhorar a estrada não passam aqui. Sem falar na água que fica parada e enche tudo meu quintal'', completa outra moradora, Kelen Cristina Masiero, 30 anos.
Com uma criança a tira colo, Claudete Aparecima de Lima, 37 anos, diz se preocupar com a outra filha. ''Ali, depois daquela esquina, não tem mais luz. As meninas vão para a escola e à noite, quando voltam, depois de passar o barro, encontram coisa bem pior ali para frente. Drogas, prostituição. Fica difícil, viu?'', desabafa.
Outra mãe já diz não aguentar mais o descaso. ''Eu e meus filhos saímos 5h30 para ir trabalhar. Tem que ir de chinelo ou sapato velho, jogar no mato quando chega no asfalto e colocar o sapato de trabalho. Na volta pega o sapato do mato e vem para casa'', descreve Maria de Lurdes da Cruz, 50 anos. Desiludida, pergunta e responde: ''Mas há quantos anos isso já acontece aqui? Muitos. Ninguém está nem aí''.
De acordo com o secretário de Agricultura, Nilson Ladeia, as obras em Guaravera não têm prazo para serem retomadas, mas isto deve acontecer em breve. Ele afirma que aguarda uma autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Nós levamos as manilhas para fazer o escoamento da água pluvial do distrito. Só que como passava no meio de uma propriedade, tivemos que esperar uma servidão de passagem na escritura do dono do sítio para continuar. Agora falta o IAP liberar o projeto da obra.''
Ele assegura que as equipes da secretaria estão a postos para voltar às obras e que, inclusive, os materiais já estão comprados. ''Esse processo de alteração da escritura é muito lento e atrasou nossos planos. Assim que retornarmos para lá, vamos terminar essa obra que resolverá metade dos nossos problema lá. Com certeza também vamos melhorar as condições da rua, deixando nivelada e em melhores condições de tráfego''.


