Professores da rede estadual de ensino fazem amanhã, em Curitiba, uma grande concentração para pressionar deputados e o governo no cumprimento do acordo que possibilitou o fim da greve, que aconteceu de maio a junho deste ano. A programação inclui manifesto na Assembléia Legislativa, às 14 horas e, a seguir, uma passeata até a Boca Maldita, no centro de Curitiba. ‘‘Queremos lotar as galerias da Assembléia e, na rua, mostrar à sociedade nossa insatisfação,’’ afirma o presidente da APP-Regional de Londrina, Luis Martins de Lima.
O plenário da Assembléia tem 1.500 lugares. A assessoria de imprensa da APP calcula a participação de 2 a 3 mil professores. Este número é baseado na quantidade de professores que participaram do último protesto.
De acordo com Luis Lima, desde o final da greve poucos itens do acordo foram cumpridos. ‘‘Muitas reuniões foram feitas mas nada saiu do papel’’, disse. Os professores querem aprovação de recursos no orçamento do Estado para o pagamento de hora atividade a partir de 2001. Outra reivindicação é a eleição direta para diretores das escolas ainda este ano.
Os professores pedem também retirada do projeto Porte Escola e a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). A aprovação do PCCS, segundo Luis Lima, contemplaria também funcionários, que hoje participam no mesmo sindicato.
O projeto Porte Escola tem objetivo de definir o número de professores por alunos alfabetizados. O sindicato teme que essa proposta possa gerar desemprego.
De junho até agora, segundo Luis Lima, várias reuniões foram feitas para discutir também um reajuste para os professores e nada ficou acertado. ‘‘Em 1999 o governo tinha cortado o direito de avanço diagonal e vertical na tabela de vencimentos dos professores, o que foi retomado depois da greve. Mas, até agora, só recebemos a diferença de junho para cá.’’
O saldo positivo da greve, de acordo com Luis Lima, foi o vale-transporte para os funcionários, direito já estava previsto em lei; e o vale-alimentação para quem ganha até dois salários mínimos.
Toda a manifestação marca o Dia do Professor, comemorado hoje. Com baixos salários, sem perspectivas de aprimoramento profissional, um professor do ensino fundamental e médio, em início de carreira, ganha uma média de R$ 251,00 mensais para cumprir uma carga horária de 20 horas semanais.
A reivindicação da hora atividade serviria para remunerar melhor o trabalho do professor. Mesmo fora da sala de aula, um professor gasta parte do seu tempo preparando aulas e corrigindo provas.
Sem perspectivas de aprimoramento profissional dos professores, os alunos que hoje estão passando do ensino fundamental para o ensino médio têm sua formação prejudicada. ‘‘Falta muito para a formação integral do aluno como cidadão; para que o aluno esteja pronto a enfrentar o mercado de trabalho e até mesmo um curso de nível superior’’, garante Luis Lima. (Colaborou Dimitri do Valle, de Curitiba)

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