Giovani Ferreira
De Curitiba
A troca de acusações entre grupos divergentes está tumultuando a eleição para novos conselheiros do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. Uma ala de oposição, chefiada por alguns médicos, está pedindo a saída do superintendente Luiz Pedro Pizzatto. Há 20 anos no cargo, o médico Pizzatto é descendente dos fundadores do hospital, mantido pela Liga Paranaense de Combate ao Câncer.
Em manifesto assinado por 45 médicos, Pizzatto está sendo acusado de nepotismo e irregularidades na aplicação dos recursos destinados ao hospital. O manifesto questiona a aplicação de US$ 2 milhões, total de recursos administrados entre 97 e 98. Os denunciantes alegam que 75% destes recursos foram desviados e declarados como supostos custos operacionais.
Pizzatto rebate as críticas e acusações e garante que está sendo atacado por contrariar interesses pessoais de alguns médicos. Esses interesses, segundo Pizzatto, estão relacionados a benefícios específicos, que não os do Erasto Gaertner como um todo. Sobre os desvios, ele disse que o hospital nunca deixou de fazer seus balanços e que existe uma auditoria independente que acompanha a aplicação dos recursos.
José Carlos Gasparim, um dos médicos que assina o manifesto, esclarece que eles não estão pleiteando nenhum cargo, mas sim mais transparência na administração do hospital. ‘‘Muita coisa não é questão de dinheiro, mas sim gerencial’’, avalia. Ele defende a constituição de uma nova frente para administrar o Erasto Gaertner, lembrando que a família Pizzatto está no controle há 30 anos.
A eleição para a renovação do conselho acontece amanhã. Existem três vagas, que estão sendo disputadas pelas chapas de situação e oposição. Têm direito a voto os sócios da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, que são em torno de 80. O conselho possui nove vagas, sendo seis conselheiros eleitos pelo voto e dois por indicação do hospital e Liga de Combate ao Câncer.

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