Manifesto pede saída de secretário
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Lúcio Horta 
O Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDHL) convocou diversas entidades de classe para discutir, hoje, a questão da segurança na cidade. A reunião será às 19h30, na sede da Ordem dos Advogados (OAB) e é aberta a toda a comunidade. O principal objetivo do encontro será propor um movimento conjunto das entidades para exigir a saída do secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira.
Ontem, o Centro enviou para as redações de jornais do Estado um manifesto intitulado Chega de Terror, no qual comenta a situação da segurança em Londrina e antecipa o pedido de demissão do secretário. É preciso substituí-lo agora, inverter prioridades, mostrar vontade política para proteger a população, diz o texto do manifesto.
O coordenador do CDHL, Carlos Roberto Scalassara, disse que a situação de absoluta falta de segurança que vive Londrina, atualmente, motivou a iniciativa. Estamos vivendo o caos. A Polícia Civil não tem quadros para investigar, são apenas meia dúzia de investigadores, literalmente, e isso dá mais segurança para quem comete o crime. Além disso, os distritos estão superlotados e a construção da cadeia é urgente. Mas o secretário vem à cidade e vincula a obra à crise econômica, que é uma coisa muito genérica, reclama. Ele não demonstrou vontade de resolver a situação.
Scalassara observa que o secretário já está no governo desde o começo do mandato de Jaime Lerner (PFL), inclusive como titular da pasta da segurança em outras oportunidades, e teria tido tempo suficiente para mostrar um mínimo de atenção ao interior. Mas não é isso, segundo ele, o que tem sido observado. Então é porque ele não tem que continuar ocupando este cargo. Por isso a posição do centro (de direitos humanos) é pedir a substituição do secretário, acrescenta.
O coordenador comenta ainda que a morte da advogada Alexandra Disseró, quinta-feira da semana passada, durante um assalto no Bar da Mocidade (área central), não foi uma simples fatalidade: há meses bares e restaurantes da cidade vêm sofrendo com assaltos consecutivos. Ironicamente, ele aponta, o crime ocorreu no mesmo dia da visita do secretário a Londrina. A violência já vem ocorrendo há muito tempo e agora houve uma perda irreparável, lamenta.
Na tarde de domingo, destaca Scalassara, apenas três dias após a morte da advogada, dois homens armados com revólver e pistola semi-automática invadiram uma padaria no jardim Piza (zona sul) e dispararam vários tiros dentro do estabelecimento. Desta vez, ninguém saiu ferido. O mais grave é ver que, em princípio, os assaltantes deveriam recuar depois da morte da Alexandra. Mas eles não tomaram conhecimento. É a banalização da vida.
Para o coordenador do CDHL, o perfil ideal para ocupar a pasta da Segurança seria alguém que tivesse um espírito democrático e maior atenção pelo interior e por Londrina, a segunda maior cidade do Estado. Ele cita, por exemplo, o fato de Cândido Martins ter apresentado, em Londrina, um projeto de polícia comunitária sem ao menos ter discutido a proposta com a comunidade. Isso é uma total falta de respeito.


