O Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDHL) convocou diversas entidades de classe para discutir, hoje, a questão da segurança na cidade. A reunião será às 19h30, na sede da Ordem dos Advogados (OAB) e é aberta a toda a comunidade. O principal objetivo do encontro será propor um movimento conjunto das entidades para exigir a saída do secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira.
Ontem, o Centro enviou para as redações de jornais do Estado um manifesto intitulado ‘‘Chega de Terror’’, no qual comenta a situação da segurança em Londrina e antecipa o pedido de demissão do secretário. ‘‘É preciso substituí-lo agora, inverter prioridades, mostrar vontade política para proteger a população’’, diz o texto do manifesto.
O coordenador do CDHL, Carlos Roberto Scalassara, disse que a situação de ‘‘absoluta falta de segurança’’ que vive Londrina, atualmente, motivou a iniciativa. ‘‘Estamos vivendo o caos. A Polícia Civil não tem quadros para investigar, são apenas meia dúzia de investigadores, literalmente, e isso dá mais segurança para quem comete o crime. Além disso, os distritos estão superlotados e a construção da cadeia é urgente. Mas o secretário vem à cidade e vincula a obra à crise econômica, que é uma coisa muito genérica’’, reclama. ‘‘Ele não demonstrou vontade de resolver a situação.’
Scalassara observa que o secretário já está no governo desde o começo do mandato de Jaime Lerner (PFL), inclusive como titular da pasta da segurança em outras oportunidades, e teria tido tempo suficiente para mostrar um mínimo de atenção ao interior. Mas não é isso, segundo ele, o que tem sido observado. ‘‘Então é porque ele não tem que continuar ocupando este cargo. Por isso a posição do centro (de direitos humanos) é pedir a substituição do secretário’’, acrescenta.
O coordenador comenta ainda que a morte da advogada Alexandra Disseró, quinta-feira da semana passada, durante um assalto no Bar da Mocidade (área central), não foi uma simples fatalidade: há meses bares e restaurantes da cidade vêm sofrendo com assaltos consecutivos. Ironicamente, ele aponta, o crime ocorreu no mesmo dia da visita do secretário a Londrina. ‘‘A violência já vem ocorrendo há muito tempo e agora houve uma perda irreparável’’, lamenta.
Na tarde de domingo, destaca Scalassara, apenas três dias após a morte da advogada, dois homens armados com revólver e pistola semi-automática invadiram uma padaria no jardim Piza (zona sul) e dispararam vários tiros dentro do estabelecimento. Desta vez, ninguém saiu ferido. ‘‘O mais grave é ver que, em princípio, os assaltantes deveriam recuar depois da morte da Alexandra. Mas eles não tomaram conhecimento. É a banalização da vida.’
Para o coordenador do CDHL, o perfil ideal para ocupar a pasta da Segurança seria alguém que tivesse um ‘‘espírito democrático’’ e maior atenção pelo interior e por Londrina, a segunda maior cidade do Estado. Ele cita, por exemplo, o fato de Cândido Martins ter apresentado, em Londrina, um projeto de ‘‘polícia comunitária’’ sem ao menos ter discutido a proposta com a comunidade. ‘‘Isso é uma total falta de respeito.’

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