Manifesto fecha estrada Paiquerê-Guairacá
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A falta de qualidade nas estradas da Zona Rural de Londrina não só está prejudicando as aulas das crianças residentes nos distritos e patrimônios da região, como também começa a ameaçar a saúde e o emprego de dezenas de pessoas. Ontem, pelo menos 20 veículos e cerca de 100 pessoas ficaram presos na estrada que liga os distritos de Paiquerê e Guairacá. As condições precárias da estrada, agravadas com a chuva do início da semana, transformaram o atoleiro em ponto de protesto da comunidade. Até o carro da reportagem da Folha foi impedido de passar, assim como o veículo usado pelo diretor de desenvolvimento da secretaria de Agricultura, Osvaldo de Souza Campos Júnior.
A Folha foi avisada das condições da estrada por volta das 11 horas. No local, a cerca de 7 km de Guairacá, a reportagem encontrou cerca de 20 carros parados e mais de 100 pessoas à espera de providências da secretaria de Agricultura, responsável pelas vias da Zona Rural de Londrina. ''Alguns estão aqui desde as sete da manhã, quando o ônibus do transporte coletivo parou. Eu já tinha atolado ontem (anteontem) e atrasei duas horas para chegar ao distrito. Quando cheguei no mesmo ponto da estrada hoje (ontem) pela manhã, decidi nem arriscar, e parei'', contou o motorista do coletivo, Claúdio Silva Ferreira.
Depois do ônibus, foi a vez de carros, caminhonetes e transportes escolares pararem. No final da manhã, três veículos que levariam crianças do distrito até a escola, em Paiquerê, também estavam parados no atoleiro. O motorista de um dos transportes, Pedro de Paula Filho, estimou que pelo menos 150 crianças tenham perdido as aulas, nos dois primeiros turnos do dia.
Três mulheres grávidas, crianças recém saídas de tratamento odontológico e diaristas com emprego em Londrina também aguardavam a liberação da pista. ''Fomos até Paiquerê para o pré-natal pela manhã com o transporte da prefeitura. Quando voltamos, o motorista percebeu que não passaria pela estrada e nos largou aqui. O mesmo aconteceu com as crianças que foram até o dentista no distrito vizinho'', disse a agricultora Márcia Aparecida Martinoti. ''Já perdemos um dia de trabalho ontem porque o coletivo atrasou. Hoje ele nem chegou à cidade. Nossos empregos estão ameaçados'', disse a diarista Lucilia de Paula Caetano.
A aglomeração, que aguardava a chegada de um representante da secretaria de Agricultura, logo virou protesto. Com a chegada do diretor de desenvolvimento, as reivindicações começaram. ''O secretário havia assumido o compromisso de arrumar a estrada no começo da semana. A chuva impediu a manutenção, mas com a volta do sol, poderemos trazer o trator-esteira amanhã (hoje)'', garantiu Campos. ''Vamos colocar moledo e pasar um rolo para arrumar a estrada'', completou.
Quando a negociação parecia ter se encerrado, os manifestantes resolveram impedir a saída do carro da secretaria e da reportagem da Folha, bloqueando a estrada com pedras e troncos. Em meio à explosão de rojões, a exigência passou a ser a chegada de alguma equipe de TV, para que o compromisso assumido pelo diretor de desenvolvimento pudesse ser gravado. Um dos pneus do carro da Folha estava sendo murchado quando a reportagem surpreendeu o autor da ação. A equipe só foi liberada quando um outro veículo de imprensa - desta vez, da TV - chegou ao local. Ontem, em Londrina, o governador Roberto Requião anunciou recursos para a pavimentação da estrada.


