Manifestantes 'tomam' ônibus urbano
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Célia Baroni 
Cerca de 120 moradores da ocupação denominada União da Vitória 6 (zona sul de Londrina) sequestraram um ônibus da empresa de transportes coletivos Francovig, no início da tarde de ontem. Eles obrigaram o motorista a levá-los até a prefeitura, onde protestaram contra o descaso com a comunidade do local. O ônibus foi parado no ponto em frente à sede do projeto Irmão Caçula, onde os manifestantes pediram para os passageiros descerem. Não houve violência e o veículo foi liberado em seguida.
Paulo WolfgangLimiteEdgar Campos: População cansada de promessasConcentrados no saguão próximo ao gabinete do prefeito Antonio Belinati (sem partido), os moradores gritavam suas reivindicações. Queremos ruas, água e luz, diziam, enquanto uma comissão foi recebida pelo presidente da Companhia de Habitação (Cohab), Wilson Mandelli.
O União da Vitória 6 é, na verdade, resultado de uma invasão iniciada há dois anos, em uma área pública localizada acima da sede do projeto Irmão Caçula. Hoje moram no local cerca de 250 famílias carentes.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do União da Vitória, Edgar Campos de Souza, as famílias vêm negociando a regularização dos lotes e infra-estrutura desde o início da ocupação. Ele diz que Cohab e prefeitura garantiram as obras e prometeram que até o final de novembro elas estariam concluídas. Revoltados, os moradores se reuniram e pediram para chamar representantes da Cohab.
Hoje (ontem) de manhã, entramos em contato com a Cohab e pedimos para alguém ir até o bairro para explicar porque as obras ainda não tinham começado. Não conseguimos ninguém. Ligamos para o secretário de Obras (José Righi de Oliveira) e ele garantiu que a máquina estaria aqui de manhã. Mas ela não apareceu. Estamos cansados de promessas que não são cumpridas, disse Souza.
Marcos BorgesComissão de moradores de área ocupada negocia com o presidente da Cohab, Wilson Mandelli: soluções a partir de hojeDjanira Fernandes, de 55 anos, moradora da ocupação, participou da manifestação. Ela disse que os moradores continuam dependendo de um único cavalete de água e muitas crianças estão ficando doentes porque as famílias são obrigadas a estocar água em casa para o consumo. Os moradores também não têm luz. Não dá mais para continuar deste jeito. A prefeitura tem de resolver a situação, reclamou Virgínia Marques, de 26 anos.
Mandelli explicou à comissão que as obras do bairro já estão no cronograma da Cohab e disse que a máquina só não começou a abrir as ruas ontem porque choveu. Até amanhã (hoje) o trator vai estar trabalhando no bairro de vocês, garantiu. Ele esclareceu o que os moradores já sabiam. Disse que somente depois das ruas abertas será possível colocar a rede de água e os postes de iluminação.
Mandelli se comprometeu ainda a acelerar os trabalhos, mas não estabeleceu prazos para conclusão das obras. As respostas não satisfizeram os moradores, mas a comissão decidiu dar mais uma oportunidade para a prefeitura cumprir a nova promessa antes de discutir outra mobilização.
A empresa Francovig informou ontem à Folha que vai encaminhar ofício à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), informando sobre o ocorrido. A empresa ainda vai avaliar se a ação dos moradores resultou em prejuízo e contabilizar a eventual perda para depois definir as medidas cabíveis.


