Manifestantes tentam agredir prefeito
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terça-feira, 30 de junho de 1998
Marcos Zanatta 
O prefeito Júlio Bifon (PSDB), de Sarandi (7 km de Maringá), por pouco escapou de ser agredido na noite de anteontem, durante protesto de estudantes contra a privatização do sistema de água no município.
Bifon teve que ser protegido por assessores e organizadores da manifestação para percorrer cerca de 400 metros, do centro da cidade até a casa onde mora.
A manifestação, que começou com cerca de 150 estudantes na frente da Câmara de Vereadores, terminou três horas depois com mais de 500 pessoas reunidas na praça da igreja, a 50 metros da casa do prefeito.
O protesto era dirigido aos vereadores, que na sexta-feira da semana passada aprovaram o projeto de privatização do serviço de água da cidade, que é municipal. Os estudantes alegam que houve interferência do prefeito para aprovar o projeto.
Segundo Marcelo Júnior dos Santos, diretor regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), o projeto está pronto há mais de um ano, mas chegou à Câmara e foi votado em menos de um mês.
Ele diz ainda que pelo menos 10 vereadores estavam contra a privatização e mudaram de opinião. Outra irregularidade apontada pelos estudantes foi a segunda votação em sessão extraordinária, realizada na última sexta-feira, às 10 horas. Como nós fomos para a Câmara, a polícia esperou a imprensa ir embora para tirar a gente lá de dentro e permitir a votação do projeto, acusa Santos.
Os organizadores esperavam 2 mil estudantes em frente à Câmara, mas menos de 150 apareceram. Segundo Santos, os diretores das escolas foram orientados a impedir a saída dos alunos.
O clima esquentou quando pedras começaram a atingir a entrada da Câmara, guardada por oito policiais. Uma pedra atingiu o rosto de um policial. Com a porta de aço fechada, os estudantes começaram uma pesseata até a casa do prefeito, a cerca de mil metros de distância.
No meio do trajeto o prefeito veio de encontro com os manifestantes, que já eram mais de 400. Cercado por coordenadores da marcha e assessores, ele teve que ser afastado do meio da rua e retirado em meio a xingamentos e tentativas de agressão.
Dentro do portão de casa, Bifon se mostrava muito assustado e pedia para ser ouvido. Santos pediu silêncio e disse que se o prefeito queria falar, deveria percorrer os bairros. A Polícia Militar só chegou ao local 15 minutos depois de Bifon já estar em casa.
Os manifestantes foram então até a praça da igreja, onde ficaram isolados por cerca de meia hora pela polícia. Depois do tumulto, Bifon disse à Folha que foi de encontro aos manifestantes para dialogar, mas não conseguiu. Eles foram educados comigo, não me tocaram, apesar da proteção que tiveram que fazer em volta de mim, afirmou.
Ele explicou que o sistema de água de Sarandi não foi privatizado. Apenas aprovamos um projeto que permite a privatização, mas só agora vamos estudar se vale a pena, alegou.
O abastecimento de água de Sarandi é feito com 33 poços artesianos e atende cerca de 18 mil ligações. Apenas 5% da cidade tem esgoto.
O prefeito explicou que o sistema dá lucro, mas não o suficiente para atender as necessidades de investimentos na expansão do serviço.
Ele calcula que são precisos cerca de R$ 2 milhões para todas as obras e o município não tem como gerar ou onde buscar os recursos. A saída seria a privatização, diz.


