Silvio VeraTravessiaCarros embarcam na balsa para atravessar o Rio Iguaçu, entre Capanema e SerranópolisOs moradores de Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e de Capanema (Sudoeste) que invadiram o Parque Nacional do Iguaçu na tarde de domingo e reabriram na segunda-feira a Estrada do Colono, ficaram revoltados ontem quando souberam que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entrou com pedido de reintegração de posse na 1ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba. Eles alegam que preferiam que as negociações fossem feitas através de diálogos.
A Estrada do Colono estava fechada desde 1986 por decisão judicial. Ela tem 17,6 quilômetros dentro do Parque Nacional do Iguaçu e liga Serranópolis do Iguaçu e Capanema. Os moradores da região invadiram a área depois que o Ibama não cumpriu a promessa de concluir até dezembro a revisão do Plano de Manejo do parque.
O assessor de Comunicação e Mobilização do Movimento Amigos do Parque Iguaçu, Leonir Colombo, disse que os moradores da região ficaram revoltados quando souberam através de jornais, que o Ibama tinha preferido o caminho da Justiça.
‘‘Essa reintegração pedida pelo Ibama é problemática. No lugar de conversar com os moradores, eles preferiram entrar na Justiça. A população daqui está revoltada com o Ibama. Se houver repressão policial aqui, é provável que haja reação da população’’, afirmou.
De acordo com Colombo, os moradores se revoltaram ainda mais quando souberam que o procurador geral da República no Paraná, Sérgio Cruz Arenhardt, pediu a prisão do presidente da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), Marcos Paganini. Colombo alertou que pode haver conflitos caso o superitendente do Ibama, Jonel Iurk e o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Júlio Gonchorosky, forem até a Estrada do Colono. ‘‘Eles não são bem-vindos aqui. Se aparecerem por aqui eu não sei o que vai acontecer com eles. Pode haver algum tipo de exaltação por parte dos moradores. Não estamos ameaçando, queremos apenas alertar as autoridades’’, disse.
Até o final da tarde de ontem o pedido de reintegração de posse da área feito pelo Ibama não havia sido julgado pelo juiz da 1ª Vara, Zuudi Sakakihara.
Na segunda-feira, primeiro dia em que foi liberada para o tráfego, cerca de 300 veículos de passeio e utilitários passaram pela Estrada do Colono. A comissão oraganizadora da invasão estabeleceu a cobrança de um pedágio ilegal de R$ 5,00 por veículo, com direito a utilizar a balsa, que opera ilegalmente, para atravessar o Rio Iguaçu. Hoje a taxa de pedágio será substituída por 1 quilo de alimento. Ontem pela manhã, dois agentes da Polícia Federal estiveram no local fazendo vistoria.

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