Rolândia – Cerca de 20 pessoas, a maioria mulheres e crianças, fizeram um protesto ontem em frente ao aterro sanitário de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). O grupo formado por moradores da região queria visitar as instalações mas a entrada não foi permitida. Eles reclamam do mau cheiro e da grande quantidade de moscas na região.
  A secretária de Meio Ambiente de Rolândia, Vera Lúcia Crispin, liberou a entrada de parte do grupo, 10 mulheres. Ela alegou que as visitas só são permitidas às quartas-feiras, conforme lei municipal, e o requerimento que solicitou a visita só tinha sido assinado por cinco pessoas. ‘‘Não nos recusamos a atendê-los mas precisamos nos preparar antes’’, disse.
  A medida irritou os moradores que se recusaram a continuar a visita. ‘‘Tenho o direito de saber o que se passa aí dentro. Tenho vergonha de receber visitas na minha casa e não posso nem estender roupas no varal por causa das moscas e do mau cheiro. Isso não deveria acontecer em um aterro’’, reclama a moradora Roseli Saldeiro, 38 anos.
  Os moradores pediram a fiscalização para averiguar se o aterro está funcionando dentro das normas de higiene e segurança. Eles adiantam, entretanto, que o aterramento do lixo não está sendo respeitado, por isso as moscas e o mau cheiro. De fato, no lugar de uma trincheira aterrada existe uma montanha de lixo a céu aberto onde dezenas de garças procuram alimento.
  ‘Esse assunto não era para criar polêmica. Não queremos tirar isso daqui, queremos apenas amenizar os problemas’’, endossa Daniel Steidler, da ONG Movimento Nossa Terra. Ele também argumenta que o manejo inadequado pode contaminar o lençol freático.
  A polêmica, entretanto, dura mais de dois anos desde que o aterro foi instalado em uma área de aproximadamente três alqueires na Zona Rural. No ano passado, as mães da região fizeram um protesto semelhante. Também tramita no Superior Tribunal Federal (STJ) uma ação obrigando o município a fazer um Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima), não realizado. ‘‘Com o estudo poderíamos encontrar medidas compensatórias para a comunidade’’, argumenta Steidler.
  Segundo a secretária, o aterro está funcionando dentro das normas. ‘‘Sempre que possível fazemos o aterramento’’, afirma. A situação de ontem, quando não havia terra sobre o monte de lixo, segundo ela, foi causada pela chuva. ‘‘Quando chove não há possibilidade de aterrar por causa do barro mas nós cobrimos com lona’’, diz. Ela também argumentou que é aplicado inseticida para combater as moscas.

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