Júnior Borba




LiberadoAcesso ao canteiro de obras, já desocupado; na foto inferior, o presidente do Mabesc, Assis Malacarne



A Polícia Militar desobstruiu ontem o acesso ao canteiro de obras da Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, em Capitão Leônidas Marques (77 km ao sul de Cascavel). O local estava ocupado por pessoas que protestavam por não terem sido incluídas em indenizações da Copel. A PM tentou prender o comprador de gado Assis Malacarne, presidente do Movimento dos Atingidos pela Barragem Elétrica de Salto Caxias (Mabesc), responsável pelos protestos. Acusado de incitação à desordem, Malacarne, que ainda é procurado, se antecipou e deixou o local.
Os policiais cumpriram ordem da Justiça local, que proibiu atos que pudessem comprometer as obras, atendendo ação cautelar movida pela Copel. A ação foi formalizada depois de ameaças de Assis Malacarne de ocupação do canteiro de obras. O juiz Antonio Carlos Scheibel Filho decidiu que, caso a ameaça fosse cumprida e o trabalho prejudicado, o Mabesc e seu presidente arcariam com prejuízos decorrentes, estimados pela Copel em R$ 839 mil para cada dia de inatividade no canteiro de obras.
O Mabesc, criado no ano passado, reúne basicamente donos de pequenos negócios e prestadores de serviços instalados em vários municípios, fora da área dos alagamentos que ocorrerão no final do ano nas margens do Rio Iguaçu, com o fechamento das comportas da hidrelétrica. Os comerciantes se dizem prejudicados com a redução dos negócios, porque muitas famílias de agricultores já estão deixando a região e indo para reassentamentos organizados pela Copel em municípios do Oeste e Sudoeste do Estado.
A companhia admite negociar, mas não reconhece o Mabesc como interlocutor dos excluídos nas indenizações, porque todo o processo foi discutido desde 1993 com as comunidades e com sua representante formal, a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu.
Terça-feira, a Copel aceitou receber uma comissão dos manifestantes. Malacarne estava presente. O diretor da companhia, Valmor Eggert, diz o Mabesc levou para os protestos ‘‘pessoas desinformadas ou que querem tirar proveito da situação’’. No primeiro dia, havia cerca de 60 pessoas nas proximidades da guarita de acesso ao canteiro de obras. Na terça-feira já eram mais de 600 pessoas, segundo a PM.
Os manifestantes impediram a entrada de caminhões com material para as obras e de operários. Quando o bloqueio começou a comprometer o trabalho, a PM cumpriu a determinação judicial, sob a observação do promotor Haroldo Nagiri.
Os manifestantes foram afastados e o acesso ao canteiro de obras liberado por volta das 7 horas de ontem. Os policiais utilizaram inclusive cachorros e, segundo os manifestantes, foram agressivos, desmontando barracas e retirando faixas. Uma pessoa teria sofrido ferimentos leves, segundo os manifestas. A informação não foi confirmada.
O capitão Oscar Monteiro, comandante da operação, disse que houve apenas ‘‘firmeza’’ e que um manifestante foi detido e liberado logo depois. À tarde, cerca de 400 pessoas permaneciam a 150 metros do portão de acesso, mas não voltaram a obstruir a passagem.

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