Curitiba - Moradores da Caximba aproveitaram a realização, em Curitiba, do Seminário Internacional WasteNet, que tem como tema o tratamento de resíduos sólidos, para protestar contra a possibilidade de que o novo aterro sanitário da Capital e municípios da região metropolitana permaneça no bairro.
Ontem, os manifestantes penduraram faixas para denunciar o que chamam de má-gestão do lixo produzido em Curitiba. Hoje, pretendem distribuir aos participantes do evento um DVD contendo imagens de catadores de lixo, chorume sendo jogado no Rio Iguaçu e resíduos a céu aberto. Tudo para barrar a permanência do aterro na Caximba. ''Não queremos dizer que o local para onde vai o lixão não é problema nosso. Esse problema foi nosso durante 20 anos. Não queremos mais o lixo no bairro'', diz Jadir Silva de Lima, um dos organizadores do protesto.
Eles fazem parte da Comissão de Preservação da Caximba, fundada no ano passado. Há a previsão que o Aterro da Caximba, que hoje recebe o lixo de Curitiba e outras 15 cidades da região metropolitana, seja desativado até meados deste ano. Esses municípios fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, que procura uma área para o novo aterro.
Entre os 30 locais analisados no ano passado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), três foram considerados ideais: o próprio bairro Caximba, uma área em Fazenda Rio Grande e outra em Mandirituba, ambas na RMC. Até hoje, porém, nada está definido. Para Lima, só o protesto pode impedir que os quase 3 mil moradores da Caximba continuem convivendo com o problema do aterro.
''Não podemos baixar a guarda, pois sabemos que a Caximba é o local mais conveniente para que instalem o lixão'', acredita. ''Hoje, sofremos com a falta de tratamento do lixo, o odor, as moscas, os urubus, o ratos, as baratas'', continua o morador.
De acordo com a Prefeitura Municipal de Curitiba, o novo espaço não será um aterro e sim uma indústria, que terá o lixo como matéria-prima. A intenção é que sejam recicladas as 2,4 mil toneladas de resíduos produzidos por Curitiba e região. A previsão é que o lixo seja transformado em adubo e material energético.
Os moradores da Caximba escolheram o seminário como local do protesto devido à participação de autoridades internacionais. Na visão deles, as denúncias podem ajudar a mudar o aterro para outro local. O encontro traz a Curitiba pesquisadores de universidades da América Latina, Europa e Ásia, que estão reunidos para trocar de experiências sobre o desenvolvimento de pesquisas que busquem melhores maneiras do manejo sustentável de resíduos sólidos. O seminário é promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Paraná (Senai-PR) e termina hoje.

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