Manifestantes protestam contra cortes no Pibid
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Estudantes e docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram na manhã e no início da tarde de ontem uma manifestação em frente ao Colégio Estadual Vicente Rijo pela manutenção do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). A UEL, que já chegou a registrar cerca de 900 bolsistas pelo programa, depois dos cortes de 2015 viu esse número cair para 711. O governo prevê um corte de outros R$ 270 milhões do programa em março.
Caso os recursos das bolsas sejam restringidos em março, conforme as novas regras anunciadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), esse número pode cair para 345 bolsistas. No Paraná, 16 instituições de ensino superior participam do programa, em 46 cidades, envolvendo 457 escolas públicas (101 municipais e 356 estaduais), totalizando 6.795 bolsistas.
A professora de artes do Colégio Estadual Professor Vicente Rijo Camila Fujita Abrahão é supervisora do Pibid na escola e afirmou que os cortes afetariam todos os trabalhos. "Os estagiários irão perder seus postos e isso irá afetar a pesquisa científica realizada pelos alunos da licenciatura", declarou.
O Pibid foi criado com a finalidade de fomentar a iniciação à docência, contribuindo para o aperfeiçoamento da formação de professores em nível superior e para a melhoria da qualidade da educação básica pública brasileira. O programa concede bolsas para estudantes da licenciatura, professores das redes públicas e da universidade. O Pibid também prevê recursos de custeio e de capital.
A pró-reitora de graduação da UEL, Ângela Maria de Souza Lima, explicou que os cortes afetam todas as bolsas que completarem 24 meses de duração. Antes duravam até 48 meses. Quinze cursos de licenciatura da UEL serão afetados.
"O Ministério da Educação (MEC) está exigindo que todos os cursos aumentem 400 horas do curso de graduação até 2018", revelou Ângela. "É uma contradição, pois o mesmo MEC que faz corte de 50% no maior projeto de licenciatura com as escolas de educação básica", apontou.
Segundo o coordenador do Pibid do Departamento de Ciências Sociais da UEL, Fábio Lanza, esse programa foi o primeiro a privilegiar a licenciatura no Brasil. "Isso possibilitou que nossos graduandos visualizassem mais o campo de atuação no ensino fundamental", explicou.
Ele destacou que seu departamento já teve 60 bolsistas, mas pode cair para 17. Em carta aberta, seus estudantes destacaram a importância do Pibid, já que ele garante a "multiplicidade de experiências relevantes e inigualáveis para os cursos de formação de professores que futuramente contribuirão para uma melhor educação nacional".
As professoras Andreia Lugle e Sandra Oliveira, da Pró-Reitoria de Graduação da UEL, estarão hoje em Brasília participando de uma audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal para tratar do Pibid. A audiência deverá ser transmitida pela TV Senado, às 10 horas.
Em resposta aos questionamentos sobre o futuro do programa e sobre o corte das bolsas, a Capes se limitou a informar que "o Pibid é um importante programa de incentivo e valorização à docência" que "será mantido e, no momento, está sendo avaliado pela Capes e pelo MEC".


