Médicos que atuam como residentes no Hospital Universitário (HU) de Londrina estão tendo que atender vários pacientes sem supervisão, devido à falta de recursos humanos na instituição. A situação é tida como inadequada, já que a principal função da residência médica seria o aprendizado dos recém-formados. Mas é a única forma encontrada pelos profissionais para dar conta da enorme demanda diária por atendimento no hospital.
Este foi um dos problemas descritos durante protesto realizado na manhã de ontem, no Centro de Londrina. Cerca de 200 pessoas, entre estudantes e médicos residentes vinculados a cursos como medicina, fisioterapia e enfermagem participaram do ato, com o lema ''Ajude a Salvar o HU''. Eles exigem a contratação urgente de médicos plantonistas, docentes e funcionários para o hospital, além de melhores salários para os profissionais.
''O pessoal que foi se aposentando e deixando o HU nos últimos anos não foi reposto. O corpo docente está se esvaziando por causa dos baixos salários e vários serviços não estão mais funcionando. Estamos preocupados tanto com a saúde da população quanto com a qualidade da nossa formação'', explicou o secretário da Associação dos Médicos Residentes de Londrina, Leandro Arthur Diehl. Ele é um dos cerca de 140 residentes de Saúde que atuam no HU.
De acordo com o grupo, faltam cerca de 100 funcionários no hospital para as mais diversas funções. Entre as consequências do déficit, Diehl destacou que o HU teve 26 leitos fechados e que está realizando exames radiológicos e cirurgias em número bem menor do que sua capacidade. ''Os residentes estão deixando de fazer cirurgias por falta de supervisão. Além disso seriam necessários pelo menos mais três anestesistas'', alegou.
Residentes das especialidades de fisioterapia pulmonar e neurológica, que também estiveram presentes na manifestação, contaram que alguns desses profissionais atendem até sete pacientes por dia, número que consideram exagerado. ''Não dá tempo de estudar cada paciente e aprender, como deveria ser o caso dos residentes. O HU não está fazendo juz ao título de hospital-escola'', reclamaram.
A opinião é endossada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Marcos Campos. ''O HU está perdendo sua característica de ensino, tornando-se cada vez mais assistencial e menos didático. Os residentes são médicos, registrados, com responsabilidade profissional e civil idêntica a de qualquer outro médico, e têm plena autorização para atender pacientes. Mas se isso acontece sem supervisão, a especialização do profissional não será tão boa quanto já foi'', argumentou.
Segundo Diehl, os residentes tiveram duas reuniões na semana passada com a reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, que teria se mostrado sensível aos problemas expostos e liberado a contratação de dois anestesistas para o HU, em regime de urgência. Ele acredita, contudo, que está havendo um ''jogo de empurra'' entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o governo estadual, para solução do problema.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que o secretário Aldair Rizzi não foi localizado para prestar informações. Ontem à tarde, ele estaria em Brasília e seu celular estaria desligado.

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