Ednelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Utilizando colheitadeiras, tratores e caminhões, produtores do km 7, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), bloquearam ontem as obras de terraplenagem do terreno onde será construído o aterro sanitário, às margens da PR-170. Eles estão revoltados com a falta de informação sobre o impacto ambiental que a obra irá provocar. Os agricultores prometem manter a ocupação dos três alqueires do terreno destinado ao aterro, até que saia uma decisão do pedido de liminar protocolado anteontem na Vara Cível do Fórum de Rolândia.
‘‘Enquanto a Justiça não se pronunciar vamos permanecer aqui. Exigimos o Relatório de Impacto Ambiental, pois não podemos servir de cobaia de um aterro sanitário do qual não temos nenhum conhecimento do projeto’’, criticou José Christovão Knoor, agricultor que há 58 anos mora na propriedade vizinha ao terreno destinado ao aterro.
Regina Kempf, que também mora no km 7, mostrava uma foto aérea da região e argumentava que ‘‘o aterro não poderia ficar num lugar mais inadequado’’. ‘‘O aterro está exatamente entre duas nascentes d’água. Fica a 300 metros do rio Águia e a 470 metros do rio Caiubi. Como o aterro fica no alto, a contaminação das nascentes será apenas uma questão de tempo’’.
O presidente do Movimento Nossa Terra, Daniel Steidle, disse que ninguém é contra a obra, mas é preciso a apresentação de um estudo de impacto ambiental. ‘‘Como não foi feito nenhum trabalho de educação comunitária para a reciclagem, é óbvio que com o tempo isso vai virar um lixão na zona rural. Aí, as pessoas estarão longe do problema e não irão se preocupar com essa questão’’, afirmou.
Dizendo-se surpreso com a manifestação, o Secretário do Meio Ambiente Claudinei Barão Sanches explicou que, desde o início da discussão do projeto, a Promotoria do Meio Ambiente pediu um Relatório do Impacto Ambiental, mas a informação é de que esse estudo só é feito para aterro que recebe mais de 80 toneladas/mês. ‘‘Vamos aguardar a decisão do juiz, mas o propósito da administração municipal é a execução do aterro sanitário para resolver, definitivamente o problema do lixão a céu aberto. Há três anos discutimos esse problema. Agora que temos o projeto e os recursos não podemos retroceder’’, concluiu.

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