Manifestantes ocupam a sede da Seab
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Edna Mendes 
Correspondente
Cerca de 400 pessoas integrantes do movimento Grito da Terra ocuparam ontem à tarde a sede da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) em Guarapuava. Elas levaram uma pauta com as reivindicações do movimento e solicitaram que o chefe do Núcleo Regional da Seab, Jorge Nicolodi, a transmitisse por fax ao secretário estadual da Agricultura, Hermas Brandão.
A coordenação do movimento quer que Brandão se manifeste a respeito das reivindicações e pressione o governo federal para agilizar melhorias na política agrícola do Estado. Segundo a coordenação do movimento, se Hermas Brandão não se manifestar o grupo vai permanecer na Seab por tempo indeterminado. Não vamos expulsá-los daqui, mas queremos que eles sejam compreensivos, disse Nicolodi ontem no final da tarde.
Entidades de pequenos proprietários e trabalhadores rurais realizam em todo o País o Grito da Terra. O tema das manifestações deste ano, em cidades que polarizam regiões, é Pela valorização da agricultura familiar, reforma agrária, emprego e garantia dos direitos sociais.
No Paraná, o movimento está sendo desdobrado também em Curitiba, Londrina, Umuarama, Ponta Grossa e Marmeleiro. O maior número de manifestantes está concentrado em Marmeleiro (7 km a leste de Francisco Beltrão), região marcada por minifúndios. A organização é da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná, Central Única dos Trabalhadores, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi).
Anteontem à noite, cerca de 200 pessoas do movimento estiveram na Câmara de Guarapuava pedindo apoio aos vereadores. O coordenador do movimento na região Centro-Sul, Altair Passos, durante explanação na Câmara, criticou a política agrícola do governo federal. Ele disse que os programas nacionais voltados para a agricultura praticam juros impossíveis de serem pagos pelos agricultores.
Queremos um programa específico para a agricultura familiar. Não adianta só fazer propaganda dizendo que o governo está melhorando a vida do trabalhador rural. Nós nem temos acesso a esses programas devido aos juros altos, desabafou Passos.
Ele pediu para que os vereadores elaborem e assinem uma carta de apoio ao movimento e que seja enviada ao governador Jaime Lerner e a outros órgão ligados à agricultura em todo o País.
O presidente da Câmara de Vereadores, João Bosco Pires, disse que o assunto será discutido pelos vereadores e pela Comissão de Agricultura na próxima sessão da Câmara. Amanhã, os integrantes do movimento irão distribuir comida às comunidades carentes de Guarapuava.
(Colaborou Paulo
Pegoraro, de Cascavel)


