Manifestantes liberam pedágio na ponte
Aproximadamente 100 pescadores e ex-marinheiros do Rio Paraná ocuparam ontem a entrada da ponte Airton Senna em Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama), na divisa com o Mato Grosso do Sul. Os manifestantes suspenderam a cobrança do pedágio e garantiram que vão ficar no local até que o governo atenda as suas reivindicações. Os pescadores cobram o pagamento do restante das indenizações pelo derrocamento de rochas no Rio Paraná, que prejudicou a pesca. Os ex-marinheiros também querem indenização por ter perdido o emprego por causa da ponte. Eles trabalhavam nas duas empresas que faziam a travessia do rio por balsas, serviço desativado em janeiro do ano passado, quando a ponte foi inaugurada.
Pescadores e marinheiros chegaram à ponte por volta das 7 horas e levantaram as cancelas do pedágio, liberando a passagem para os veículos. Durante o dia, pelo menos mais 100 pessoas se concentraram na praça de pegágio. A concessionária do serviço, a Associação Banestado, não se manifestou sobre o protesto. Segundo os funcionários da empresa, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) é quem tentaria negociar com os manifestantes. De acorco com informações do DER, cerca de 1.800 carros passam pela ponte diariamente. O pedágio arrecada cerca de R$ 10 mil por dia, segundo o DER. Motos pagam R$ 1,00, carros pequenos, R$ 3,00, carros grandes, R$ 7,00 e caminhões R$ 10,00.
Os pescadores alegam que as explosões de rocha no Paranazão em 1996 para abrir um canal de navegação mataram ou contaminaram 90% dos peixes, inviabilizando a pesca na área. Antes do derrocamento de rochas, os 187 pescadores receberam R$ 3,l mil cada um, calculados sobre a previsão de que as explosões impediriam a pesca durante um ano. O DER também se comprometeu a discutir nova indenização se os prejuízos fossem maiores que o previsto.
Segundo os pescadores, ano passado o DER prometeu liberar mais R$ 17 mil para cada pescador, mas até agora ninguém recebeu nada. Em junho do ano passado, um grupo de aproximadamente 50 pescadores ficou dois dias acampado em frente à sede do DER em Curitiba. Os cascudeiros suspenderam o protesto, depois que o DER prometeu agiliar o pagamento das indenizações e forneceu cestas básicas para as famílias que estavam passando necessidade.
Aproximadamente 260 ex-marinheiros que trabalhavam nas balsas também reivindicam indenização ao DER por terem ficado desempregados depois da construção da ponte. Os ex-funcionários das empresas de transporte ingressaram com três ações coletivas de indenização nas Varas de Fazenda Pública de Curitiba, mas duas foram indeferidas. Apenas a 3ª Vara recebeu uma ação e mandou citar o DER para se defender.
O diretor-geral do DER, Paulinho Dalmaz, considerou o protesto absurdo e injustificado. De acorco com Dalmaz, as reivindicações dos pescadores e ex-marinheiros já estão sendo analisadas na Justiça e eles têm que esperar a decisão judicial. Dalmaz pediu ontem à Secretaria de Segurança Pública forço policial para desocupar a ponte e liberar o pedágio o mais rápido possível.





