Manifestantes fecham portao de usina
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terça-feira, 25 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoOs manifestantes ameaçavam invadir o canteiro de obras da hidrelétrica; Copel marcou reunião para sextaAgricultores, comerciantes e outras pessoas que pedem compensação pelo futuro alagamento da barragem da Usina de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, realizaram ontem protesto em frente ao canteiro de obras, em Capitão Leônidas Marques (77 quilômetros ao sul de Cascavel). O capitão da Polícia Militar Celso Borges estimou em 500 o número de manifestantes. O Movimento dos Atingidos da Barragem Elétrica de Salto Caxias do Salto Caxias (Mabesc), chegou a impedir a passagem pelo portão no final da tarde. A expectativa era de que os manifestantes deixassem o local à noite.
A Mabesc havia anunciado medidas drásticas para inviabilizar os trabalhos no canteiro de obras. Temendo que a ameaça fosse cumprida, a Copel formalizou ação cautelar na Justiça. O juiz Antonio Carlos Schiebel Filho determinou à Mabesc e seu presidente, o comprador de gado Assis Malacarne, que se abstivessem de qualquer medida que implique na paralisação das obras, sob pena de ser responsabilizados por prejuízos decorrentes, estimados pela companhia em R$ 839 mil ao dia.
Desde a madrugada de ontem 40 policiais militares ocuparam o portão como prevenção, mas não houve incidentes. O engenheiro Valmor Eggert, gerente do Departamento de Implementação da Copel em Salto Caxias, disse que a companhia sempre agiu em parceria com representantes da população que sofrerá o impacto do alagamento (no final de 98), por isso não há motivos que justifiquem tal mobilização.
A Copel vem discutindo desde 93 indenizações e outras formas de compensação com a Comissão dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que representa pequenos e médios proprietários, e com representantes dos proprietários de áreas e estabelecimentos maiores. No momento em que estas indenizações já estão definidas e começa o processo de reassentamento de famílias, a Mabesc (com sede em Boa Vista da Aparecida) acrescenta reivindicações de setores que, segundo Assis Malacarne, foram excluídos.
A Mabesc pede indenização de R$ 72 mil para o pequeno comércio, indústrias e serviços, e R$ 216 mil para os de porte maior que tenham atividades prejudicadas pela saída de agricultores que estão sendo transferidos, o que representaria perda de clientela. É exigida indenização até para professores (pela desativação de escolas), com treze salários-base, multiplicados pelos anos que faltam para atingir idade para aposentadoria.
Em manifesto distribuído ontem, o presidente da Mabesc repete as reivindicações e acrescenta que o que a Copel vai ganhar com a construção da usina é uma fortuna e que o que sairá das turbinas não é água, é dólar. Assis Malacarne completa. Para Valmor Eggert, a Copel cumpriu todas as metas fixadas em conjunto com a comunidade, mas admite a discussão de casos individuais que possam ter sido injustamente excluídos.
A Copel já indenizou 1.106 propriedades que serão total ou parcialmente atingidas, e está reassentando em outros municípios 938 famílias de pequenos agricultores e não-proprietários. A direção da companhia não aceitou receber uma comissão da Mabesc no canteiro de obras. Por meio do deputado estadual Nereu Moura (PMDB), presente à manifestação, ficou acertada uma reunião sexta-feira, em Cascavel.


