Manifestantes fecham a Ponte da Amizade
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu Uma manifestação manteve a Ponte da Amizade fechada por quase uma hora, na manhã de ontem, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em Foz do Iguaçu. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Manifestantes já tinham fechado a ponte por 50 minutos na tarde de anteontem.
Segundo o chefe de operações da delegacia da PFR em Foz, Márcio Albino, o protesto foi liderado por um grupo de ''laranjas'' pessoas que ganham a vida fazendo o transporte de mercadorias compradas por sacoleiros brasileiros no mercado paraguaio. Eles se revoltaram contra o rigor da fiscalização da Receita Federal na fronteira, através da Operação Cataratas. A ação da Receita teria reduzido a presença de sacoleiros na região, diminuindo também a renda dessas pessoas.
Apenas em junho, foram apreendidos 67 ônibus e US$ 4,6 milhões em mercadorias. O índice, de acordo com o delegado substituto da Receita Federal em Foz, Gilberto Tragancin, supera em 82% os resultados do mesmo período do ano anterior.
Ontem, oito ônibus carregados de contrabando foram apreendidos na região de Cascavel. Um deles, só com cigarros, possuía mercadorias avaliadas em US$ 50 mil. No total, os produtos apreendidos devem somar quase R$ 1 milhão. As 55 pessoas que estavam nos ônibus foram identificadas e liberadas para voltar a suas casas, enquanto os veículos seguiram para Foz do Iguaçu. Anteontem, a Receita também apreendeu três caminhões em estabelecimentos próximos à fronteira, que funcionavam como depósitos.
Albino afirmou que a polícia continuará coibindo as manifestações na ponte. ''Se permitirmos os protestos, vira rotina. Temos que zelar pela segurança na fronteira'', disse. O policial lembrou que julho é um mês de férias, o que aumenta a presença de turistas na cidade. ''Os hotéis de Foz do Iguaçu estão com a lotação quase completa. Não dá para colocar esse pessoal em risco'', avaliou.
Como a cidade atrai muitas pessoas por causa do turismo de compras, o delegado da Receita Federal orientou a seguir as regras estabelecidas pela lei para evitar apreensões e multas (veja quadro). A cota de compras livres de impostos é de US$ 300 por pessoa. As mercadorias devem ser adquiridas para uso próprio. No caso de produtos acima da cota, é preciso procurar a Aduana para pagar o imposto de 50% sobre o valor excedente. ''Na entrada e na saída da ponte há placas de orientação'', explicou.


