''O pessoal não vai ser demitido mesmo? Então, vamos protestar o tempo que for necessário; pra quê voltar ao trabalho?''. A frase do presidente da APP-Sindicato, José Lemos, não foi exatamente levada ao pé da letra pelos funcionários e professores que protestaram em frente à Secretaria Estadual de Educação mesmo porque o secretário Maurício Requião não estava ontem no prédio da administração.
Em meio ao frio e à garoa, entretanto, os servidores fizeram questão de entoar paródias de jingles e de comandar um pula-catraca dentro da Secretaria, apesar de muitos deles mostrarem nas expressões, na verdade, medo e apreensão pelo desemprego que está por vir.
Um desses casos é o da secretária Maria do Carmo Dias, 59, contratada da rede estadual em Curitiba desde 1992, e uma das que deve entrar no rol de demitidos. ''Faltam só seis meses para eu me aposentar por idade e agora estou prestes a ir para a rua'', queixou-se Maria, que afirma ter feito 21 pontos no concurso de 2004. Seriam necessários pelo menos 25 para aprovação.
Também secretário em Curitiba, Moacir Figueredo, 45, disse se preocupar com as perspectivas de mercado de trabalho caso fique sem emprego. ''Hoje é muito difícil alguém admitir uma pessoa na minha idade. E somos vários nessa situação''. Vinda de Goioerê, a funcionária administrativa Marildes Simões Pelegrin, 39, comentou que o momento de ficar sem férias remuneradas não poderia ser pior: ''É muito difícil você ter três filhos e, em plena época de Natal, não ter o suficiente para comprar um presente a cada um'', afirmou Marildes, cujo salário mensal é de cerca de R$ 550. (J.G.)

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