Rosicler, Marilsa, Isabel e Graziela, mulheres de PMs, enfrentaram a tropa de choque na tentativa de impedir a entrada de veículos no Centro de Suprimento e Manutenção (CSM) da Polícia em Curitiba. Houve confronto e as mulheres foram retiradas à força da calçada. A polícia usou gás lacrimogênio e prendeu duas manifestantes, Rosicler e Marilsa.
Assim que souberam do confronto e das prisões, dezenas de policiais do 12º batalhão, do 13º batalhão e do Regimento da Capital abandonaram os quartéis e seguiram para o CSM. Em desrespeito direto aos superiores, eles ficaram em frente ao portão do Centro e só se desmobilizaram depois que as mulheres dos PMs foram liberadas. Mais de 20 viaturas policiais ficaram paradas na avenida Iguaçu durante toda a manhã.
Como o 12º e o 13º são batalhões responsáveis pelo patrulhamento de Curitiba, ontem de manhã a cidade ficou praticamente sem policiamento. Apenas 10% das viaturas trabalharam normalmente na cidade ontem de manhã. Antes de saírem para a frente do Centro, os policiais estavam aquartelados. ‘‘Nós estávamos fazendo uma manifestação pacífica, mas não aceitaremos que o comando coloque a tropa de choque para bater em mulher de policiais’’, esbravejava um dos policiais.
Os policiais militares estavam dispostos a entrar em confronto com a tropa de choque. Por medida de segurança, no final da manhã o Comando do Policiamento da Capital (CPC) determinou a retirada da tropa de choque. Os portões foram fechados. O objetivo das quatro mulheres era evitar que as viaturas policiais fossem abastecidas no Centro.
O major Ademar Benenuto Moletta, que comandou a ação da tropa de choque, foi retirado do local após a chegada dos policiais militares em apoio às mulheres. O tenente-coronel Porcides reiniciou a negociação com os manifestantes. Ele garantiu que as mulheres seriam liberadas da delegacia e pediu que os PMs voltassem para os quartéis. Segundo o major Moletta, não houve violência e as mulheres estavam impedindo a entrada de todos os carros. Às 11 horas um novo grupo de mulheres chegou para manter o piquete em frente ao portão.
Assim que os manifestantes chegaram ao CSM, o capitão Fadel, da tropa de choque, tentou conversar com os policiais. Ele atravessou a rua e quando se aproximou dos manifestantes, todos os PMs lhe deram as costas e começaram a vaiar. Fadel desistiu de conversar.
Por volta do meio-dia, logo após o fim da reunião no Palácio Iguaçu houve outro momento de tensão. Os manifestantes não concordaram com o prazo de 60 dias solicitado pelo governo para que fosse feita uma revisão nos salários. ‘‘Se o governador precisa desse tempo para decidir sobre o aumento, o Paraná vai ficar 60 dias sem polícia’’, diziam as manifestantes.
Um tenente foi flagrado anotando as placas das viaturas que estavam paradas em frente ao CSM. Ele foi expulso sob vaias pelos manifestantes. No início da tarde houve o momento de maior tensão. Dois integrantes da P-2 (serviço reservado da PM) foram flagrados filmando das viaturas. Um deles conseguiu sair com a câmera. O outro foi preso pelos policiais, que tomaram a pistola e o revólver calibre 38.

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