Manifestantes dividem opinião dos curitibanos
A coordenação do movimento informa que nestes dias dezenas de pessoas da periferia de Curitiba têm procurado o acampamento interessadas em arrumar um pedaço de terra. ‘‘Esta possibilidade ainda está sendo estudada’’, afirma um dos coordenadores do MST, Roberto Baggio.
Um cadastramento será iniciado na próxima semana para relacionar famílias dispostas a retornar ao interior do Estado. Baggio disse que as pessoas que deixaram a agricultura para tentar a sorte na capital e encontraram a pobreza, têm condições de conseguir vagas nos acampamentos do MST.
No entanto, existem também aqueles que não simpatizam com os manifestantes. Para o cobrador Antônio Carlos Soares, o acampamento é considerado uma visita de parentes. ‘‘Depois de um tempo, começam atrapalhar’’, afirma, acrescentando que neste caso seriam dezenas de ‘‘primos’’.
Os taxistas que estão ao redor do Centro Cívico também criticam o movimento. ‘‘Alguns clientes estão evitando de passar no local, procurando outros pontos’’, reclama Silvério Pontes.
Porém, para os comerciantes, como a Indiamir Soares, que vende espetinho de linguiça a R$ 1,00, a vinda dos sem-terra é lucrativa. ‘‘A gente ganha alguns troquinhos’’, afirma. Outra pessoa que tem faturado dinheiro é o aposentado Carlos Lima. Nos fins de tarde, ele oferta banhos quentes, em sua residência, cobrando R$ 1,00 por pessoa.
Sucos e refrigerantes também são vendidos. ‘‘Não pode vender bebidas alcoólicas’’, afirma o ambulante Mário Pereira. ‘‘Eles têm uns vigias, que impedem quem tenta oferecer’’, diz. Ele afirma que mesmo assim ganha ‘‘um bom’’ dinheiro, principalmente, quando no meio da tarde, os sem-terra jogam futebol.

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